As melhores cidades europeias para caminhar sobre as muralhas medievais
Eu não sei vocês, mas eu tenho paixão por tudo que é medieval. Acho que é porque vivemos em país novo, então, muito me atrai explorar o velho mundo em todo o seu charme histórico. Neste sentido, sempre incluo nos meus roteiros na Europa todas as cidades e vilarejos medievais que ficam pelo caminho.
Dentre as
cidades e vilarejos medievais europeus, sem dúvidas, as amuralhadas são as mais
charmosas e misteriosas. E, há cidades/vilarejos com muralhas muito bem preservadas,
como Dubrovnik (Croácia), Cittadella (Itália), Rodes (Grécia), Nördlingen
(Alemanha) e Avignon (França).
História das muralhas
Como vemos nos
filmes, as muralhas medievais, construídas principalmente entre os séculos V e
XV, delimitam os limites das cidades e castelos, de forma que serviam para
proteger seus habitantes e o território. Estruturas defensivas cruciais, elas
eram feitas de pedra, alvenaria, madeira e/ou taipa. Altas e espessas, geralmente incluíam fossos,
torres, ameias (para atirar de cima), seteiras (fendas para arqueiros) e
portões fortificados. Com o tempo, evoluíram com a arquitetura militar,
tornando-se símbolos de poder, mas perderam eficácia com o advento da pólvora e
dos canhões.
Para nós
viajantes, além de apreciar as muralhas mais bem preservadas, uma atração, em
si, é caminhar sobre as muralhas... quase vejo os exércitos inimigos se
aproximando. E, além de toda essa imaginação e emoção, como elas são altas, nos
proporcionam um visual maravilhoso do entorno, e interior, das cidades.
As minhas
preferidas para caminhar sobre a muralha, são:
Monteriggioni,
Itália: Construídas entre 1213 e 1219 no topo de uma colina na Toscana, formam
uma das fortificações medievais mais preservadas da Itália. Com 570 metros de
extensão e 14 torres, elogiadas na Divina Comédia de Dante Alighieri, a
estrutura serviu de defesa para Siena contra Florença.
Caminhadas panorâmicas estão disponíveis em duas seções principais (norte e sul), oferecendo vistas do Vale do Chianti e da área de Montagnola. Por cerca de 4€ a 5€, se faz o passeio e a visita ao museu "Monteriggioni in Arme", com réplicas de armas e armaduras medievais que os visitantes podem manusear e vestir.
Detalhes aqui.Ávila,
Espanha: Patrimônio Mundial da Unesco desde 1985, a cidade foi fortificada na
Idade Média. Hoje, apresenta uma das muralhas mais bem preservadas do mundo, com
cerca de 2,5km de extensão e 87 torres, quase totalmente percorrível a pé. Possui 12
metros de altura, oferecendo vistas impressionantes da cidade e da área
circundante.
O ingresso
para subir e caminhar pelas Muralhas de Ávila custa, geralmente, 5€ (preço
base) por pessoa, podendo haver variações para grupos, crianças (12-18 anos),
estudantes e reformados, que pagam cerca de 3,50€ a 5€. O acesso é gratuito
para crianças até 12 anos e moradores locais em dias específicos. Pode ser
comprado na Casa de las Carnicerías ou
Porta do Alcázar.
A visita às
muralhas e ao Castelo de Carcassonne tem um custo aproximado de 9,50€ por
adulto para ingressos individuais. Os preços podem variar entre 6,50€ a 17€,
dependendo do tipo de ingresso (audioguia, etc.). A entrada é gratuita para
menores de 18 anos e jovens da União Europeia (18-25 anos).
Detalhes aqui.
Rothenburg ob
der Tauber, Alemanha: Situada na Rota Romântica, na região da Baviera, a cidade
tem seu charme medieval e arquitetura renascentista muito bem preservados. Em
1170, Rothenburg era um ponto importante nas rotas comerciais do país e chegou
a ser maior que Frankfurt e Munique até o século XV. Portanto, para a sua
proteção, todo o centro histórico é cercado por uma muralha, hoje intacta, por
onde se pode caminhar, proporcionando uma viagem no tempo.
O passeio é gratuito e há várias escadarias ao longo da cidade para subir e descer, sendo fácil coordenar com uma caminhada pelo centro histórico. Na minha opinião, a paisagem no entorno não é tão deslumbrante, mas vale a pena, sobretudo, subir a torre Röderturm (aproximadamente 2€).
Tallinn,
Estônia: A cidade velha de Tallinn, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, é
protegida por fortificações e torres medievais encantadoras, grande parte das
quais ainda está de pé e são acessível. Caminhar pelas muralhas oferece uma vista
única da cidade histórica.
O acesso às muralhas medievais de Tallinn varia entre 3€ e 15€, dependendo da torre ou seção visitada, sendo as opções mais comuns a Torre Hellemann (4€), Torre Nunna/Sauna/Kuldjala (3-5€) ou a Torre Maiden's (14€). O Tallinn Card oferece acesso grátis a algumas seções. Eu acessei pela Torre Hellemann, do século XIV, e andei pelo topo da muralha de 200 metros. Endereço: Müürivahe tn 48. Horários: de maio a outubro, diariamente das 10 as 19h/de novembro a abril, diariamente das 10 às 18h.
Óbidos, Portugal: Esta charmosa vila portuguesa já foi habitada por romanos, mouros e visigodos, muito antes de Cristo. Ainda hoje, é cercada por 2km de muralhas de pedra muito bem conservadas, onde se pode caminhar. A vista panorâmica inclui as casas caiadas de branco e telhados de terracota da vila, o entorno da cidade e um aqueduto antigo. É uma experiência recomendada para quem tem boa mobilidade, pois as escadas de acesso são íngremes e, em alguns trechos, não há vedação de segurança, exigindo precaução.
O acesso às
muralhas de Óbidos é gratuito e pode ser feito através de várias entradas na
vila.
York, Inglaterra: Com raízes
romanas e vikings, a cidade foi um dos núcleos da Guerra das Rosas no
século XV. Sua muralhas foram erguidas pelos romanos, no
primeiro século antes de Cristo. Hoje, conhecidas como York City Walls,
são uma das suas principais atrações e podem ser percorridas gratuitamente. Com
cerca de 3,4km de extensão, oferecem vistas panorâmicas da cidade e são
acessíveis a pé, funcionando geralmente durante o dia, com fechamento em caso
de mau tempo ou durante o inverno.
Ronda, Espanha: Suas muralhas são
vestígios de fortificações andaluzas (especialmente árabes) que em conjunto com
a defesa natural do desfiladeiro de El Tajo protegiam a cidade. Construídas entre os séculos XIII e XIV,
oferecem vistas panorâmicas da cidade velha e do vale, com acesso gratuito próximo
à Igreja do Espírito Santo. Seus destaques são: a Puerta de Almocábar (Século
XIII) que era a entrada principal da cidade, as Murallas del Carmen que oferecem
um vislumbre das fortificações do período islâmico e as Muralhas da Cijara
(Murallas de la Cijara), na parte leste,
construídas com pedra e tijolo que datam do período muçulmano e eram essenciais
para a defesa da cidade.
Na Itália, destaco ainda as muralhas de San Gimignano construídas no século XIII, sendo possível percorrer seu perímetro, com acesso por diversos pontos, incluindo as portas principais: Porta San Giovanni (sul), Porta San Matteo (noroeste) e Porta S. Jacopo (nordeste).
Abraços!

















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