Castelo de Peleş, o mais impressionante e famoso da Romênia (Parte 2)


Era uma vez um castelo encantado no meio de montanhas misteriosas, que era muito exótico e moderno para a época de sua construção...





Agora vamos visitar o interior do Castelo de Peleş. Mas, antes, saiba mais sobre ele aqui.

Lustres de cristal, esculturas em madeira, pinturas no teto, tapeçaria riquíssima, espelhos, móveis, estátuas, porcelanas, uma coleção de armas e armaduras com milhares de peças de grande valor histórico... São 160 salas, com presentes de outras nações e trabalho dos melhores artistas da época, parece até que se está num cenário de filme...

Tudo isto a guia vai mostrando e explicando, ao longo do tour, com um inglês fácil de entender, enquanto passamos pelos vários ambientes do castelo. Incluindo as salas de recepção oficiais, uma biblioteca com uma porta secreta dentro das estantes, banheiros luxuosos, quartos de hóspedes e aposentos reais.

O interior do castelo é uma verdadeira maravilha, devido à beleza e riqueza da madeira esculpida e as janelas com vitrais. A maioria dos inúmeros elementos em madeira foi concebida pelo ebanista austríaco Bernhard Ludwig. 

Quando se entra no vestíbulo está-se na Escadaria de Honra, em frente aos governantes mais importantes da antiga Romênia: Santo Estêvão, o Grande e Miguel, o Valente. Nos lados direito e esquerdo dos dois monarcas, como cavaleiros servos, quatro escudeiros seguram os escudos das províncias romenas.









Toda a decoração e arquitetura estão muito bem preservadas.




Os inúmeros vitrais do palácio datam na sua maioria dos séculos XV e XVII e são originários da Alemanha e da Suíça.



Salas mais notáveis

Holul de Onoare (Sala de Honra) — só foi completamente finalizada em 1911, sob a orientação de Karel Liman. Ocupa três andares e as paredes estão cobertas por madeira requintadamente esculpida, a maior parte de nogueira e madeiras exóticas. A decoração inclui também baixos-relevos, esculturas em alabastro, painéis retráteis com vitrais e uma maravilhosa escada em espiral suspensa entre os andares.



Cada detalhe é mais impressionante que o outro!! 



Apesar de não parecer muito grande quando visto de fora, o palácio é enorme. São seis pisos com 160 ambientes (dentre eles, 30 banheiros!!!!!).










Sala Mare de Arme (Sala de Armas Grande) — onde estão expostas cerca de 1.600 das 4.000 armas e armaduras que existem no castelo. É uma das melhores coleções de objetos de guerra e de caça, com peças fabricadas entre os séculos XIV e XIX. Algumas delas foram adicionadas pelo rei Carlos I após a sua vitória na batalha de Pleven durante a guerra russo-turca de 1877-1878, que levou a que meses mais tarde a Romênia conseguisse a sua independência como país, pois até então tinha estado legalmente sob o domínio do Império Otomano. Especialmente famosa é a armadura maximiliana completa para cavalo e cavaleiro. Também está exposta uma vasta variedade de armas de haste, de armas de fogo (mosquetes, bacamartes, espingardas, pistolas, etc.), espadas, machados, bestas, etc.

Sala Mică de Arme (Sala de Armas Pequena) — onde estão expostas principalmente armas e armaduras orientais, a maior parte delas indo-persas, otomanas e árabes, muitas com ornamentos de ouro e prata e incrustações de pedras preciosas. Há armaduras de cota de malha, capacetes, cimitarras, iatagãs, adagas, espingardas de mecha, lanças, pistolas, escudos e machados.









Carol I era um militar por vocação, de perfil austero e meticuloso como era habitual aos militares.



O castelo foi construído no final do século XIX, com mordomias como eletricidade, aquecimento, telefone, dois elevadores e até aspirador de pó. Na verdade, esse foi o primeiro palácio europeu totalmente iluminado por eletricidade produzida por um gerador próprio.




Ao longo da sua história, o castelo teve como hóspedes personalidades importantes, como membros da realeza, políticos e artistas como Sarah Bernhardt. Uma das visitas mais memoráveis foi a do imperador Francisco José I da Áustria-Hungria, em 02 de Outubro de 1896. Durante o interminável governo (de 1967 a 1989) do ditador Nicolae Ceausescu, muitos dignitários estrangeiros o visitaram, como Richard Nixon, Gerald Ford, o ditador líbio Muammar al-Gaddafi e Yasser Arafat.



No palácio se organizaram várias reuniões importantes quando do início da 1ª Grande Guerra.





Foi o primeiro castelo europeu equipado com calefação.




O Castelo de Peleş abriga ainda uma enorme e valiosa coleção de pinturas que conta com quase duas mil obras.



Sala do Conselho (inspiração vinda da Suíça)



O Salonul de Muzică, cujo mobiliário de teca foi oferecido a Carol I pelo Marajá de Kapurtala.





Não há muita harmonia na decoração, e isso não tem mal nenhum. Pelo contrário. Uma das suas grandes riquezas é a diversidade de estilos, com muitos ambientes, sumptuosos e extravagantes, inspirados em distintas culturas do planeta.





Sala de Teatru (Sala de Teatro) — com 66 lugares e um camarote real, é decorada em estilo Luís XIV. Os afrescos e pinturas do teto são trabalhos de Gustav Klimt. Supostamente, foi nela que ocorreu a primeira projeção de um filme na Romênia, em 1912.


Sala Florentină (Sala Florentina) — combina elementos revivalistas da Renascença italiana, sobretudo de Florença. As portas de bronze sólido, fabricadas na oficina de Luigi Magni de Roma, e a grande lareira de mármore, da autoria de Paunazio, com motivos de Miguel Ângelo, são especialmente impressionantes.















Salonul Maur (Sala Mourisca) — construída sob a orientação de Charles Lecompte de Nouy, incorpora elementos norte-africanos e hispano-mouriscos. Tem mobília com embutidos de madrepérola, tapetes persas de Saruque e turcos de Isparta, além de armas orientais e uma fonte interior em mármore, que replica uma similar existente no Cairo.



Salonul Turcesc (Salão Turco) — cheio de tapetes de Esmirnar e peças de cobre da Anatólia e da Pérsia, emula a joie de vivre otomana. As paredes estão cobertas com têxteis feitos à mão, como brocados de sede das lojas Siegert de Viena. Foi usado como a sala de fumo cachimbo de água dos cavalheiros.












Apartamento Real















Quarto Rococó, onde eram alojados os convidados mais ilustres.









Apartamentul Imperial (Suite Imperial) — acredita-se que tenha sido um presente ao imperador austríaco Francisco José, que visitou o palácio na qualidade de amigo da família real romena. A decoração, da autoria de Auguste Bembe, é sumptuosa, de estilo barroco austríaco do tempo da imperatriz Maria Teresa. Destaca-se uma cobertura de parede em couro de Córdova trabalhado com mais de 500 anos, raríssimo pela sua qualidade e estado de conservação.


Um detalhe curioso é que os casais reais romenos partilhavam o mesmo quarto de dormir, algo pouco comum nas famílias reais dos séculos mais recentes.












Em resumo: o castelo tem um interior muito bacana, mas nada de absolutamente excepcional. Acho que o problema da visita é que os funcionários são meio bagunçando e, portanto, entram muitas pessoas ao mesmo tempo. Durante o tour guiado há um certo caos e tirar fotografias é quase impossível. Vale a pena? Sim, para quem não conhece muitos palácios na Europa vale. Todavia, acho o exterior do castelo o mais legal. É romântico e ideal para um piquenique a dois ou ainda um jantar no restaurante Complexo La Tunuri - Vila Economat, com ares da Baviera.

Como chegar:

Devido à sua localização, o Castelo de Peleş é o local perfeito para uma viagem de um dia de Brasov ou Bucareste. A forma mais comum de se chegar a Sinaia, a partir de Brasov ou de Bucareste, é de trem. Sinaia fica a cerca de uma hora de Brasov (48 km) e duas horas de Bucareste. Uma vez na estação de Sinaia, recomendo que subam de táxi até ao castelo; e, no regresso, ao descer, façam o percurso a pé.




Em uma visita a Romênia, indico que façam um pit-stop em Sinaia no caminho entre Bucareste e Brasov. Há na estação de trens um guarda volumes coletivo. Para achá-lo, procure a moça responsável pela limpeza do banheiro feminino.


Horário de funcionamento (fechado em novembro):

Em janeiro, o Castelo de Peleş abre terça-feira das 9-16:15h (visita apenas no térreo); quarta das 11-16:15h e de quinta a domingo das 09:15-16:15h. Fevereiro e Março, quarta das 11-16:15h e de quinta a domingo das 09:15-16:15h. De abril a dezembro, terça-feira das 9-16:15h (visita apenas no térreo); quarta das 11-16:15h e de quinta a domingo das 9:15-16:15h. Em todos os dias a última entrada para o tour completo é às 15:15h.


Entrada:

O tour básico, que cobre apenas o térreo e o primeiro piso (dura cerca de 50 minutos): 30 RON. A excursão completa inclui o térreo, o primeiro e o andar superior, onde se situam os quartos e uma sala de espetáculos (dura cerca de 30 minutos): 60 RON. A visita ao castelo é guiada, obrigatoriamente. À hora exata, uma funcionária manda entrar o grupo de visitantes, com 20 a 30 pessoas. Para poder fotografar é preciso comprar uma permissão (35 RON). Bolsas grandes não são permitidas no interior e os visitantes são obrigados a usar meias de chinelo sobre os sapatos quando estão dentro.

Fico por aqui...

Beijão!!!

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