Explorando Portofino, um dos balneários mais seletos da Itália, em poucas horas



No post passado, mostrei para vocês como passar algumas horas em St. Moritz, a cidade suíça para onde as celebridades vão no inverno. Hoje, falarei sobre como aproveitar algumas horas em Portofino, a cidade da Riviera Italiana para onde corre o jet set internacional quando chega o verão.


"E de repente, você descobre uma enseada escondida entre oliveiras e castanheiras. Uma pequena aldeia, Portofino, se espalha como um arco de luar ao redor desta bacia calma. Atravessamos lentamente a passagem estreita que liga este magnífico porto ao mar. Naturalmente, vamos em direção ao anfiteatro das casas, cercadas por uma floresta de um verde forte e fresco, e tudo se reflete no espelho das águas calmas, onde alguns barcos de pesca parecem dormir".
Guy de Maupassant, 1889







Sua história:

As origens de Portofino estão perdidas na antiguidade, provavelmente seu nascimento remonte à pré-história. O antigo "Portus Delphini", mencionado por Plínio, tem origens antigas e ligadas à sua localização, já que era uma espécie de porto seguro para os navios.

Com a romanização da Ligúria, Portofino tornou-se uma colônia romana e depois passou para a jurisdição do Sacro Império Romano, no início da Idade Média. No século X, tornou-se propriedade da abadia de San Fruttuoso, subtraindo-a em 1175, quando os direitos da aldeia foram adquiridos pelos cônsules de Rapallo por 70 liras genovesas.

Em 1425, a cidade estava na posse de Tommaso Campofregoso. O governo dessa família não durou muito tempo: já em 1430, os genoveses, liderados por Francesco Spinola, tomaram posse de Portofino, e lá permaneceram por quinze anos. Em 1445, Giovanni Antonio Fieschi, em hostilidade aberta com a República de Gênova, ocupou Portofino e exerceu seu poder também por pouco tempo. De fato, logo em seguida, ele voluntariamente, devolveu Portofino para Gênova. Em 1513, Adorno e Fieschi, apoiados militarmente pelo duque de Milão, Francesco Sforza, e pelas tropas suíças, ocuparam a aldeia. Outra derrota. A República conseguiu, com um “exército” de mercenários e genoveses, retomar à posse do país, derrotando também os valentes homens de Andrea Doria. Mas Andrea Doria não esqueceu a derrota e, em 1527, retornou às águas do Tigullio, onde, após uma longa batalha contra as milícias doge, conseguiu tomar o país. Em 1554, contando com a direção do milanês Gian Maria Olgiato, a República de Gênova teve o sistema defensivo de Portofino renovado, e em particular a fortaleza de San Giorgio.



A história subsequente de Portofino é identificada com a de Gênova. Em 1814, a pequena vila de pescadores serviu de pano de fundo para uma dura batalha entre as tropas inglesas e napoleônicas, sendo as últimas expulsas. Em 1861, finalmente Portofino entrou no Reino de Itália.

Hoje, Portofino é um dos lugares mais famosos do mundo e um destino adorado por celebridades. Então, não se espante se de repente ver George Clooney tomando um gelato na La piazzetta.



Portofino já apareceu em vários filmes de Hollywood. Quem não se lembra do “The Wolf of Wall Street”, com Leonardo di Caprio?




Realmente é um lugar especial... Giorgio Armani costumava passar umas temporadas na aldeia. Tom Cruise e Jennifer Lopez já foram vistos em seus iates ancorados em suas águas. Madonna celebrou seu aniversario de 50 anos em Portofino.



Você sabe o porquê do nome “Portus Delphini”? Pelo grande número de golfinhos que habitam a baia.




Entre suas casas (de 3 a 4 andares), rústicas e coloridas, “escondem-se” butiques como Cartier, Dior e Louis Vuitton.



Típicas casas ‘liguri’.




Apesar, de todo esse luxo, fora dos iates e longe dos hotéis, nós, seres humanos normais, nos divertimos mesmo é vagando pelas ruelas da vila. E, ninguém deve perder a chance de conferir a beleza do lugar, nem que seja depois de ter enfrentado uma boa caminhada ou um busão cheio.



Portofino possui 2,53 km² de território incluídos em um Parque Natural e tem cerca de quinhentos habitantes.




Esse misto cenário de aldeia com balneário exclusivo da High Society ficará impresso nas suas retinas. Portofino, de fato, guarda tesouros de uma beleza incrível. Inseridas na paisagem, há vistas de tirar o fôlego e obras arquitetônicas singulares.



Comece o passeio na lúdica La piazzetta, com as casas-torre ostentando as típicas cores da Ligúria. Todas dispostas como peças de um adorável mosaico encravado aos pés de uma colina com uma exuberante vegetação, onde se “escondem” as elegantes vilas.




Sente-se em uma das mesas, escolha um vinho regional e desfrute das vistas do porto com os barcos locais e mega iates atracados. Tudo isso sobre as bênçãos do Castello Brown, empoleirado em sua colina verde-esmeralda.


Portofino é um charme de lugar, com cafés, restaurantes, lojas e igrejinhas.


Nem uma cadeira fora de seu lugar, nem um cisco no chão, toalhas de mesa limpíssimas...











Mansões, iates que flutuam em um mar cristalino, e uma praça com butiques sofisticadas. Quer mais? Bem, nem vou falar da gastronomia!




Para desfrutar de uma Portofino mais genuína, deve-se subir uma trilha, de 5 minutos, localizada na ponta direita da baía, até a Chiesa di San Giorgio. Ao seu lado, encontra-se a Terrazza San Giorgio, com belas vistas.



A rua que leva até a Chiesa di San Giorgio está repleta de lojas de souvenires, exposições de artesanato e rendas locais…




Um dos promontórios mais lindos do Mar Mediterrâneo.
















Os barquinhos ancorados na sua pequena enseada tornam a paisagem bucólica. E fazem um bom contraponto com os iates que fazem a fama do lugar.




Portofino, fica encravada entre penhascos e bosques. Dentro de uma área protegida.





Terrazza San Giorgio








Mas, para se ter vistas ainda mais espetaculares, continue a trilha na direção do Al Faro. Cerca de 10 minutos após, chega-se a uma entrada privada que, através de exuberantes jardins de flores, leva a dois terraços laterais que permitem uma visão completa do Golfo do Tigullio. Cinco minutos depois, avista-se o Castello Brown, cercado por um típico jardim mediterrânico, cheio de flores, rosas e pérgulas.



Dizem que Portofino está para Saint Tropez, assim como Santa Margherita está para Cannes.






O castelo construído por Genovese permaneceu forte contra os venezianos, os sabóias, os sardos e os austríacos e depois caiu com Napoleão. Foi comprado por um diplomata britânico em 1867 e transformado em uma mansão privada.









A estradinha que sobe e serpenteia entre velhas casas de marinheiros.














Do Castello Brown, você pode virar à esquerda e continuar seu caminho por mais cinco minutos até o Al Faro. Lá no topo, tem-se uma vista de cartão postal dos jardins verdejantes das vilas próximas e de todo Golfo.












Caminho em direção a Piazza della Libertà, onde passa o ônibus.






Lojinhas de artesanato e comidinhas.








Portofino é podre chique, apesar de simples... Ah, nada arrogante!!









A passagem pode ser comprada na “tabaccheria” (indicada com a letra T e do lado oposto ao ponto de ônibus).






As atrações:

A Piazza Martiri dell'Olivetta”, coração de Portofino, “abraça” o porto, onde pequenos barcos de pescadores e iates de luxo convivem lado a lado. Na La piazzetta, destacam-se as lojas de famosos designers italianos como Armani, Pucci e Ferragamo, além de pequenas lojas que oferecem deslumbrantes peças de vidro Murano e souvenires.

A Chiesa di San Martino que foi construída no século XII em estilo românico da Lombardia e, em seguida, completamente renovada no século XVIII. Algum dos destaques no seu interior são uma estátua de madeira, do século XVIII, da Virgem das Dores, bem como uma grande escultura representando cinco figuras: a Deposição de Cristo, Maria Madalena, São João, José de Arimatéia e a Virgem das Dores. Ao lado da primeira capela, repare em uma pedra memorial em homenagem a passagem do Papa Giorgio XI quando do seu retorno para Roma após um período em Avignon, em 1376.

A Chiesa di San Giorgio, localizada no Promontório de Portofino, foi reconstruída recentemente, em 1950, mas o edifício original é de 1154. No seu interior são conservadas relíquias que datam do período das Cruzadas. Aberta diariamente das 9 às 19 horas.

O Castello Brown foi, até o final de 1800, propriedade do cônsul inglês em Genova. Hoje, ele pertence a cidade de Portofino, sendo utilizado como local para eventos, casamentos, e exposições culturais. No seu interior, você pode observar inúmeros baixos-relevos e móveis em mármore ou ardósia. Na primeira sala, há alguns móveis originais e chama a atenção uma parede com janelas em estilo gótico. A partir daqui, entra-se no terraço onde antigamente os artilheiros se alojavam, e onde o cônsul Brown mandou construir um esplêndido jardim. O terraço, hoje, oferece uma das mais belas vistas do golfo. A seguir, suba a escadaria em "laggioni", um tipo de faiança que era muito comum na Ligúria, sendo um mix de estilos mediterrâneo e árabe. No primeiro andar, aprecie o quarto que é coberto por abóbadas cruzadas em estilo lombardo. Na sala, há um grande tríptico e à direita um fogão de azulejos. O salão circular da torre, apesar de profundamente reestruturado, é interessante. Endereço: Via alla Penisola 13. Horário de abertura: de 15 de março a 31 de março, das 10 às 17h/de 1 de abril a 31 de maio e de 1 de setembro a 31 de outubro, das 10 às 18h/de 1 de junho a 31 de agosto, das 10 às 19h/de 1º de novembro a 15 de março, o castelo abre apenas aos sábados e domingos das 10 às 17h. Admissão: 5 €.


Castello Brown, uma arquitetura neogótica cercada por um lindo jardim com vistas de 360° do mar, do Parque Nacional, e da vila.


O Al Faro, na Punta Portofino. Um agradável caminho panorâmico cercado por oliveiras leva ao farol. É um passeio fácil e, ao chegar-se ao Al Faro abre-se um panorama mágico com uma vista de Punta Manara em Sestri Levante para Capo Noli, além de Gênova.




O Museo del Parco di Portofino, sobre as colinas verdes, é onde estão expostas, entre plantas e belas flores, esculturas em mármore/ bronze/aço/vidro de artistas contemporâneos italianos e internacionais, como: Messina, Guttuso, Fontana, Pomodoro e muito outros. Horário de funcionamento: de junho a setembro, entre 10-17:30h e 15-20h (exceto para as terças-feiras quando está fechado durante todo o dia).

Uma caminhada de cerca de 3 horas (subidas moderadas) cruza o Promontório Monte Portofino até a Abadia de San Fruttuoso. O Centro de Turismo fornece mapas. Quem preferir pode fazer um passeio de barco até a abadia. A passagem de ida e volta custa 8,50 euros, e a viagem dura meia hora. Detalhes neste post.







Ligúria, o epicentro do veraneio dos italianos do norte, principalmente milaneses e torineses.







Marzão azul turquesa com reflexos dourados.






Situada no chamado Golfo del Tigullio, ao leste de Gênova, Portofino fica na fronteira entre Santa Margherita Ligure e Camogli.






Como chegar:


Situada no chamado Golfo del Tigullio, ao leste de Gênova, Portofino fica na fronteira entre Santa Margherita Ligure e Camogli.



Supondo que você não seja um dos milionários de Los Angeles ou da realeza europeia, se hospedar em Portofino está quase fora de cogitação. Então, vá para passar o dia. Mas, lembre-se: em Portofino não há estação de trem. Logo, se você não tem um iate de luxo, a melhor opção é utilizar o ônibus ou “operação canela”, já que nem carros têm acesso ao centrinho. Mas, primeiro é preciso ir de trem até Santa Margherita Ligure-Portofino, a estação ferroviária mais próxima de Portofino. Como chegar a SML? Da estação La Spezia Centrale até Santa Margherita Ligure-Portofino, as passagens custam entre 6,60 e 10 euros (cada "perna") e a viagem dura em torno de 1 hora. De Genova Piazza Principe até Santa Margherita o percurso pode durar de 35 a 60 minutos e as tarifas são entre 3,60 e 8,50 euros.



De SML até Portofino:

1. Ônibus 82. Depois de chegar a Santa Margherita Ligure-Portofino de trem, desça as escadas, atravesse a rua em direção ao mar, e caminhe até o Centro de Turismo, uma pequena cabana verde perto de um estacionamento. Então, pegue o ônibus 82 para Portofino. A programação de, e para, Portofino é listada em uma placa no prédio, e você pode comprar seus ingressos na máquina prateada adjacente. Este é um passeio “selvagem”, o ônibus fica geralmente bem cheio e faz curvas impressionantes. No entanto, é a maneira mais rápida/barata de chegar à vila a partir de Santa Margherita. Preço: 6 € ida e volta. Em geral, os ônibus partem a cada meia hora; a viagem leva cerca de 15 minutos.
2. À pé. Passando pelo centro de Santa Margherita e seguindo a belíssima rota costeira leva-se cerca de 1:30h até Portofino. Mas, inclua mais um tempinho para relaxar e tomar uma cerva nas prainhas de Paraggi.



3. Táxi
4. Ferry boat: saída de Santa Margherita Ligure. Veja os horários aqui (linhas 1 e 2).
5. De bike. No Centro de Turismo de Santa Margherita, compre um cartão para usar um serviço de compartilhamento de bicicletas (por hora ou diário). As bicicletas azuis são um modelo padrão de três marchas, já as brancas são elétricas. A estrada sinuosa em direção a Portofino fica na direção oposta da estação de trem, e são cerca de 20 minutos de viagem. Preço: 4 horas por 8€, 8 horas por 12€.

No mapa:






Em breve, vocês verão a minha sugestão de roteiro na Ligúria.

Veja também os posts abaixo:


Camoglié a atração de hoje na Série Lugares Secretas que Indico.

A Série Lugares Secretos que Indico visita San Fruttuoso di Camogli, na Ligúria.

A Série Lugares Secretos que Indico passeia em Santa Margherita Ligure.

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