Lago Titikaka: ilha Taquile!!
Seguindo nosso passeio pelo Lago Titicaca, depois de cerca de 2.30h, chegamos a Ilha Taquile. Esse percurso é uma
delícia, e nesta hora o sol já tinha aparecido e o lago resplandecia. Difícil dizer
que não era um mar...
Azul nos dias ensolarados e cinza nos nublados, segundo a mitologia local, no Lago Titicaca o mundo se originou. Contam que há muito tempo atrás uma comunidade vivia feliz em um vale dos Andes, pois os deuses das montanhas, denominados Apus, a protegia, com a condição de que ninguém subisse os montes, onde ardia o Fogo Sagrado. Um dia, os espíritos malignos resolveram semear a discórdia, desafiando os habitantes a alcançarem o alto das montanhas como prova de sua coragem. Claro, eles subiram, e os Apus ficaram contrariados com a desobediência. Assim soltaram vários pumas, que viviam nas cavernas locais, e exterminaram toda a população. Diante desta desgraça, o Deus Sol Inti chorou por 40 dias e suas lágrimas inundaram o vale. De suas lágrimas surgiu um homem, Manco Cápac, e sua mulher, Mama Ocllo. Ao saírem das águas, eles transformaram os pumas em estátuas de pedra e chamaram o lago recém-formado de Titicaca (em quechua, "o lago dos pumas de pedra"). Manco e sua esposa receberam de Inti a incumbência de fundar o Império de Tawantisuyo, e assim surgiu a Civilização Inca.
Daqui, nossa caminhada seguiu até o topo da ilha, onde fica a praça e a igrejinha. No alto, pudemos avistar os dois picos da vizinha Ilha Amantaní , o Pachatata (Pai Terra) e o Pachamama (Mãe Terra).
Fim
do passeio, de volta a nossa lancha, curtimos muito o sol da tarde nas cerca de
3h de retorno a Puno.
SUPER INDICO esse passeio.
Azul nos dias ensolarados e cinza nos nublados, segundo a mitologia local, no Lago Titicaca o mundo se originou. Contam que há muito tempo atrás uma comunidade vivia feliz em um vale dos Andes, pois os deuses das montanhas, denominados Apus, a protegia, com a condição de que ninguém subisse os montes, onde ardia o Fogo Sagrado. Um dia, os espíritos malignos resolveram semear a discórdia, desafiando os habitantes a alcançarem o alto das montanhas como prova de sua coragem. Claro, eles subiram, e os Apus ficaram contrariados com a desobediência. Assim soltaram vários pumas, que viviam nas cavernas locais, e exterminaram toda a população. Diante desta desgraça, o Deus Sol Inti chorou por 40 dias e suas lágrimas inundaram o vale. De suas lágrimas surgiu um homem, Manco Cápac, e sua mulher, Mama Ocllo. Ao saírem das águas, eles transformaram os pumas em estátuas de pedra e chamaram o lago recém-formado de Titicaca (em quechua, "o lago dos pumas de pedra"). Manco e sua esposa receberam de Inti a incumbência de fundar o Império de Tawantisuyo, e assim surgiu a Civilização Inca.
O casal viveu uns tempos na Ilha Taquile, onde Mama ensinou às mulheres a fazerem fios e Manco
Capac ensinou aos homens a agricultura e a tecelagem. Eles orientaram os
habitantes a nunca permitirem que os conhecimentos de tecelagem deixassem
a ilha. Portanto, até hoje os homens tecem na ilha, contudo as mulheres já
sejam permitidas a fazê-lo.
A tecelagem na ilha é mais do que uma forma de
subsistência, pois são a partir das intricadas figuras que imprimem nos
tecidos que, desde criança, os taquilenhos aprendem a mitogia que rege a comunidade local.
Eles aprendem a fazer chullos (gorros de lã), t´isnus (cintas também de lã) e fajas (cinturões com desenhos complexos). Os homens que não sabem tecer são chamados de muruqu maki, que na língua quechua (utilizada na ilha até hoje) significa “mão redonda”, mas passa o sentido de” indivíduo inútil”. E, isso lá é coisa séria, esses muruqu makis não conseguem nem se casar.
Eles aprendem a fazer chullos (gorros de lã), t´isnus (cintas também de lã) e fajas (cinturões com desenhos complexos). Os homens que não sabem tecer são chamados de muruqu maki, que na língua quechua (utilizada na ilha até hoje) significa “mão redonda”, mas passa o sentido de” indivíduo inútil”. E, isso lá é coisa séria, esses muruqu makis não conseguem nem se casar.
A ilha foi uma prisão durante a colonização espanhola, e
até meados do séc. XX. Ela somente se tornou independente em 1970. Hoje, seus
mais de 3.000 habitantes vivem da agricultura, da pesca e do artesanato. Em Taquile, não há eletricidade, nem carros, nem cães e gatos.
Famosa por suas ruínas da era Pré-Inca, vistas no topo da
ilha (a vila principal fica à 3.950m), por seus rituais e pelo povo caloroso, a visita à ilha é inesquecível.
Uma curiosidade nela são as vestimentas e seus
códigos, relacionados à idade, estado civil, status social e estado de espírito
de quem as traja. Os homens utilizam calças pretas, camisas brancas e chullos com
bordados multicoloridos. As mulheres casadas usam blusas de cores vivas e polleras (volumosas saias) com um manto
negro. Os líderes comunitários trajam chullos coloridos cobertos por belos
chapéus. E o mais curioso, quando um homem está de bom humor, coloca a ponta de
seu chullo sobre o ombro direito e vice-versa.
A ilha possui muitas tradições curiosas, por exemplo: os
casais são obrigados a viverem juntos por um período de dois anos, para ver se o
casamento vai funcionar, já que divórcio é um conceito que não existe por lá.
Neste período de experimentação, os casais não podem ter filhos.
O conceito de cooperação mútua é levado muito a sério
pelos taquilenhos, e as famílias se revezam semanalmente para atenderem ao
restaurante comunitário. Ademais, o artesanato é vendido em um lugar
comunitário no topo da ilha... nada de concorrência entre os taquilenhos. Lá,
não existe polícia e os infratores são linchados em lugares públicos, contudo
isso não seja comum. Seu povo ainda segue rigorosamente os mandamentos Incas: Ama Sua, ama llulla, ama qhilla (não
roubar, não mentir, não ser preguiçoso). As tradições são mantidas e, mulheres caminham
atrás dos homens, não podem se manifestar nas reuniões comunitárias, e são seus
homens responsáveis que resolvem as questões quando estas se desentendem.
Taquile é considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Belíssima... não sei porque me lembrou a Grécia. No passeio,
nós fomos deixados às margens do lago em um lado da ilha. Daqui, há duas
opções: subir por escadas, ou caminhar entre flores, cultivos e criações dos
locais. Optamos pela caminhada íngreme que dura cerca de 1 hora, mas é de uma
beleza ímpar.
| Modelo de terrazas Inca |
| O colorido plantio de papa (=batata) |
Quase
no topo paramos para o almoço em uma tenda. Almoçamos uma deliciosa sopa de quinoa,
seguida de trutas com papas fritas. Após o almoço, tivemos uma demonstração da
dança local e visitamos a tecelagem.
| A dança folclórica no restaurante |
| Eles cultivam muitas ervas, inclusive esta, a Muña, que é usada para doenças do estômago. Todavia a Coca vem de Cusco |
| Cheirando a erva para escapar do "mal das alturas" e encarar mais subida depois do almoço |
Daqui, nossa caminhada seguiu até o topo da ilha, onde fica a praça e a igrejinha. No alto, pudemos avistar os dois picos da vizinha Ilha Amantaní , o Pachatata (Pai Terra) e o Pachamama (Mãe Terra).
Como o embarque se dá na outra ponta da ilha, agora
descemos os 538 degraus de pedra até o porto. Foi à parte que mais
gostei do passeio.
SUPER INDICO esse passeio.
Veja mais aqui
O passeio pelo Titicaca que acabei de relatar nestes 2
posts começa no porto de Puno às 7.30h (uma van nos pegou no
hotel) e dura 8 horas. O custo é de cerca de US$ 8 por pessoa. As agências locais também oferecem a
possibilidade de pernoite nas ilhas por cerca de US$ 15, incluindo acomodação e
alimentação.
É possível, ainda, ir até a Bolívia e conhecer Copacabana e a Ilha do Sol, o que não fizemos,
mas deve ser muito legal.
Conselho: se for ao Peru,
não deixem o Titicaca de fora. Puno e seus arredores têm muito a oferecer.
Até
breve!
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