Um lugar único no mundo: Isla flotante Uros

Imaginem um lugar onde o chão não é chão, onde as casas balançam, onde o bairro se move, onde mulheres de diferentes estados civis se vestem de formas diferenciadas, e onde a energia é solar. Esse lugar existe e são as Islas Flotantes Uros.


As Ilhas Flutuantes de Uros ficam no Lago Titicaca, que divide Peru e Bolívia, e é o maior lago navegável do mundo, ficando a 3.809 metros acima do nível do mar.
Nossa visita às ilhas flutuantes começou a partir de Puno, a maior cidade as margens do Lago Titicaca. Fomos de excursão (duração de dia inteiro) pré-agendada.
O passeio pelo Lago Titicaca começa cedinho e vemos o sol subir por esse imenso lago, que mais se parece um mar. Cerca de 30-40 minutos após partir de Puno, chegamos as Islas flotantes.

 



Conta à lenda que o Lago Titicaca foi o primeiro lugar habitado pelos Incas, e que essas ilhas flutuantes começaram a ser construídas na era pré-colombiana para garantir a segurança dos Uros. Hoje, no Peru as ilhas são habitadas pela etnia uro chulluni, que são descendentes dos Uroitos.
O Lago Titicaca possui um total de 41 ilhas, e destas 9 são artificiais. As ilhas flutuantes, propriamente ditas, são cerca de 50 pequenas comunidades, e em cada uma vive de 4 a 10 famílias. Elas são construídas por seus habitantes, com uma planta própria da região, semelhante ao junco, que se chama totora. O “chão” das ilhas parece enormes placas de “mato”, e para que elas flutuem, mas não saiam “andando”, elas ficam amarradas à vegetação do lago.




Barco e ilha de totora


Seu ciclo de vida dura aproximadamente 10-20 anos, depois os moradores constroem uma nova ilha, com a ajuda das comunidades vizinhas. E não só para construção da ilha se usa a totora, ela é comestível e é utilizada pela população local na fabricação de utensílios, artesanato e barcos.

A totora
Demonstração de como a ilha é feita e reformada




A energia nas ilhas advém de placas solares, mas o curioso é que o celular pegava lá e havia até TV de LCD. As crianças moradoras das ilhas frequentam a escola em uma ilha vizinha.

O povo das ilhas vive basicamente do turismo, pesca e artesanato. E, atualmente apenas os mais velhos aí permanecem, pois muitos partem para a cidade para trabalhar e estudar.

Os habitantes nos mostraram como vivem:nosso grupo se subdividiu e cada um foi com uma família conhecer suas casas.


O artesanato


Maiz e outras sementes para cozinhar



É preciso cozinhar ao ar livre

A casa
A casa da moça solteira

O enfeite (decoração)
Depois disso, fomos levados para um passeio até uma ilha vizinha, em uma embarcação feita de totora. Adorei os barcos... quanta engenhosidade!

As caranca servem para espantar o mau tempo

E todos viram se despedir com uma musiquinha
E lá vamos nós de vela içada
A próxima ilha
A criação de cuy

Cuy, o "ratinho" da região, que se come assado

O posto de observação
Lá em cima
Lá embaixo

Adorei o passeio de barco e subir no posto de observação, mas o que eu mais gostei, é claro, foi das roupas coloridas dos habitantes. Lá existe um código próprio para as vestimentas, que varia conforme o estado civil. As mulheres casadas usam blusa de cores sóbrias, com um xale de lá negro na cabeça. As solteiras também usam o xale, mas suas roupas são de cores vivas e com enormes e coloridos pompons nas pontas do xale, chamados Bom-Bom.Todas usam de 5 a 6 saias, se sobrepondo.

A presidente da ilha
 
 

É possível se pré acordar para passar a noite na ilha. Mas como esse não foi o nosso caso, ficamos por ai cerca de 1 hora e partimos em direção a próxima ilha, mas esse é assunto para outro post.



Até...

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