Nova Chiloé: as ilhas com casinhas coloridas no sul da América do sul!
Vocês leram o livro O Caderno de Maya de Isabel Allende?
Eu li, e achei bem mais ou menos. Na verdade há uns livros de Isabel que amo, e outros que considero meio chatos. Esse ficou no meio do caminho.
Um dos
seus livros que li, e que mais amei na vida foi Inês
da minha alma. A autora conta a história da conquista do Chile sob a visão
de uma mulher, e a sensibilidade com que o faz é impressionante. Mas, voltando
a Maya, esse tem uma história fraquinha de uma adolescente viciada em drogas, o
legal mesmo é que Isabel retrata Chiloé
e seus costumes muito bem.
Inspirei-me,
e hoje vamos falar sobre o Arquipélago
de Chiloé.
Ele é composto pela Ilha Grande de Chiloé e uma série de
outras ilhas menores (mais de quarenta no total), com uma extensão de 9.181
km². Está situado na região de Los Lagos,
na região sul do Chile, a 65 quilômetros ao sudoeste de Puerto Montt (na Patagônia Chilena).
Chiloé quer dizer “terra das gaivotas”, nome dado pelos índios Huilliche (habitantes das ilhas desde o século XVI), pois essas são abundantes na região. Sua capital é a cidade de Castro, e o arquipélogo possui cerca de 200 mil habitantes.
Chiloé quer dizer “terra das gaivotas”, nome dado pelos índios Huilliche (habitantes das ilhas desde o século XVI), pois essas são abundantes na região. Sua capital é a cidade de Castro, e o arquipélogo possui cerca de 200 mil habitantes.
Hoje, parte de Chiloé é
considerada Patrimônio Mundial pela UNESCO. Suas ilhas são conhecidas principalmente devido as suas CASINHAS COLORIDAS de madeira construídas
em pilares sobre a água, chamados de palafitas, e as suas igrejas, também de
madeira, construídas entre os séculos XVIII e XIX.
Na verdade, o que é
considerado patrimônio mundial são as 16 igrejas de madeira de Chiloé, que
foram construídas por missionários jesuítas. Como eles eram pobres, as igrejas foram
construídas sem pregos e seus tetos abobadados são semelhantes a botes invertidos.

Um pouco de história:

Um pouco de história:
Incialmente
habitada pelos índios chonos e huilliches, as ilhas foram “descobertas” pelos
espanhóis em 1540, e foram colonizadas em 1567. Chiloé se “rendeu” a independência chilena
apenas em 1826, oito anos depois do resto do território. Isso explica porque
seu povo não se diz chileno, e sim chilote, e seus costumes únicos, lendas e crenças
peculiares. Há muita mitologia em Chiloé. No livro, Isabel fala sobre diversas
dessas crenças, que permanencem fortes até hoje.
Chiloé é
ainda conhecida pelo seu famoso Curanto.
![]() |
| Curanto al Hoyo |
Como
chegar: saindo-se da localidade de Pargua,
atravessa-se o Canal de Chacao em um
ferry boat. Esta é a única forma de chegar até o arquipélago de Chiloé; os
carros embarcam no ferry. A travessia dura cerca de 30 minutos. Há balsas
disponiveis para a travessia a cada meia hora entre 6-23h.
Quando ir: a época ideal é entre Dezembro e Março,
porque o bom tempo permite ir de ilha em ilha em botes, sem maiores problemas. Em
Janeiro, ocorre a procissão do Nazareno de Caguach (no livro, Isabel
fala dela), a festa mais popular no arquipélago. Em Fevereiro, se realiza o Festival
Costumbrista de Castro.
Ancud
Destaques para: o Museu Regional
de Ancud, no qual se expõem desde objetos utilizados pelos indios
huilliches e chonos, até fotografias do terremoto que devastou a cidade em 1960;
o Forte Santo Antônio, construído pelos espanhóis no início do século
XIX e que foi o último
reduto ibérico durante a guerra da independência; o mirante de Chepu (melhor lugar para fotografar o
porto); as lojas de artesanato local; a Feira e o Mercado Municipal.
A cidade é bem legal, com toda a sua
mitologia própria da terra que antigamente era terra de bruxos e feiticeiros
(Isabel conta no livro que as “bruxas” se encontram até hoje).
Daí se pode:
1.
Ir a Quemchi, a 57 km ao sul, que é um povoado tranquilo na orla marítima. O
programa aqui é a visita a casa-palafita-museu
de Francisco Coloane, um contador de histórias cujas novelas de aventuras
foram situadas nos mares do sul do Chile.
2.
Ir até Puñihuil, a 27 km ao sul, de onde saem os
barcos (de setembro a abril) para se ver os pinguins de Humboldt (Spheniscus humboldti, de 1 coleira) e de Magalhães (Spheniscus magellanicus, de
2 coleiras).
3.
Visitar o Parque Nacional Chiloé, há 38 km de Ancud.
4.
Fazer uma excursão às
comunidades agrícolas e pescadoras das proximidades e visitar pequenos
povoados.
Castro (a capital colorida)
Localizado no centro da Ilha
Grande de Chiloé, ela é o ponto de partida para
explorar o arquipélago, pois está conectada com as outras localidades
chilotas e com as ilhotas. Foi fundada
em 1567, por Martín Ruiz de Gamboa.
Entre colinas e uma vegetação
exuberante, você encontrará as ruas inclinadas que levam ao porto, onde vemos as CASINHAS COLORIDAS com palafitas. Tais palafitas são construídas com
o mesmo material dos cascos dos barcos, o que lhes garante resistência para
enfrentar o mar bravíssimo da região, e ainda os famosos terremotos chilenos.
Destaques para: a Igreja de San
Francisco de Castro toda em madeira forrada a chapa ondulada nas cores lilás e salmão, em cujo
interior se vê um Cristo com dobradiças nas axilas e uma imagem de Santa Teresa
do Chile, a primeira santa chilena; a Feria de Artesanato de Castro e o
Museu de Arte Moderno de Chiloé.
De Castro pode-se visitar a Ilha
Mechuque que se destaca por suas palafitas, ou o Parque Nacional Chiloé, ou, se for Março ou Abril, sair de bote para
ver as baleias corcundas. Em Castro,
várias agências de turismo que oferecem essas excursões, mas é possível fazê-las
de forma independente.
Sobre o Parque Nacional Chiloé:
Com uma
floresta nativa que vai até a costa, as trilhas são escuras (as copas das
árvores não deixam o sol passar) e cheias de mistérios. Há o tepú e plantas com
folhas gigantescas. O chão é pantanoso,
devido a abundância de água, aliás os mares são revoltos no entorno. Chiloé é
propensa a grandes e perigosas tempestades, como nos conta Isabel Allende.
Quellón
Ela é última grande cidade chilota, onde acaba a estrada Panamericana, que começa na
Alasca e atravessa todo o continente. Como o resto da ilha, vive basicamente da
pesca e do cultivo de salmão.
Destaques para: o Museu Inchin Cuivi An (“nosso passado” em língua huilliche), onde se
pode conhecer mais de perto a cultura indígena, seus objetos, embarcações e uma
parte da história (aberto somente no verão).
Daí se pode:
1.
Entre novembro e março,
contratar um guia para navegar rumo ao Golfo
Del Corcovado, em busca da baleia azul.
2.
Contratar botes para
percorrer as pequenas ilhas vizinhas e suas aldeias desconhecidas, onde o tempo
parece ter parado e onde a cultura chilota é mais profunda (sem hordas de
turistas).
3.
Visitar a Ilha Laitec, com sua linda e bem conservada
igreja e as antigas vivendas dos chonos.
4.
Visitar o Parque Tantauco, a 14 km de Quellón (entrada
norte), com uma das maiores biodiversidade do mundo, e onde se pode realizar
diversas excursões, pesca com mosca ou apenas observar os animais.
Você pode ir de carro ou reservar com
antecedência sua ida de bote, de Quellón atá Caleta Inio, no extremo sul do
parque.
Por tudo isso, se vê que é preciso cerca de 3
dias para explorar melhor o arquipélogo. Mas, geralmente esse não é o caso da
maioria dos viajantes. Então, escolham o programa que mais lhe agradam e boa
viagem.
O que fizemos em 2007:
Fomos de
excursão, nós 4 (eu, minha mãe e 2 amigas) e um casal que estava hospedado em
nosso hotel em Puerto Varas. Até a
balsa, desde Puerto Varas, são cerca de 1.30h.
O ferry nos deixou no vilarejo de Chacao, onde ficamos um tempo observando suas casinhas coloridas típicas, antigas e desgastadas pelo tempo. Elas são feitas, em geral, de quadrados de madeira ou possuem o belo e singular efeito de escamas sobrepostas.
O ferry nos deixou no vilarejo de Chacao, onde ficamos um tempo observando suas casinhas coloridas típicas, antigas e desgastadas pelo tempo. Elas são feitas, em geral, de quadrados de madeira ou possuem o belo e singular efeito de escamas sobrepostas.
Daí, nós
sigamos por uma estrada a beira mar em direção a Ancud. No caminho paramos em
um lugar maravilhoso para comer ostras (Ostras Caulín). Super
indico essa parada, aliás, foi a partir deste momento que comecei a apreciar
ostras. Ancud é famoso pelos seus mariscos grandes e exóticos. E não deixem de
provar as ostras fresquíssimas. Li que outro prato imperdível é pulmay, mas nem sei
do que se trata. Quem souber, por favor, deixe um comentário explicativo.
Como em
outros restaurantes locais, no Ostras
Caulín (a 9 Km de Chacao, na beira da estrada, celular: 9643-7005) os
produtos servidos são advindos de criadouros próprios.
Daqui
seguimos para Ancud, onde visitamos os pontos turísticos e vagueamos pelas ruas
e lojinhas.

A distância
entre Chiloé e Puerto Varas não é pequena, e já eram cerca de 15 horas ao fim do
almoço, então tivemos que tomar uma decisão difícil. Ou iriamos a Castro conhecer
as famosas casinhas coloridas com suas históricas palafitas, ou iriamos visitar
as Pinguineras de Puñihuil. Até eu, que só fã de casinhas coloridas, apostei
nos pinguins. Acho que foi uma escolha acertada, pois todos adoraram a passeio.
| Casinhas coloridas ao fundo |
O
personagem mais famoso da região é o Trauco,
um anão de aspecto repugnante e machado na mão, que, contam os chilotes, seduz
as donzelas. O feioso e temido ser mitológico costuma aparecer em sonhos
eróticos e, após seduzir as moçoilas, leva-as para os bosques, onde as possuí.
É também relacionado à fertilidade. Em seu livro, Isabel dá a entender que, nas
ilhotas, não são raros os pais e padastros que abusam das meninas.
Possivelmente é daí que vem o mito; uma justificativa para a gravidez
indesejavel.
A bela sereia
Pincoya é a segunda dinvidade mais
popular. Sempre vestida com algas e acompanhada de seu marido Pincoy, a deusa aparece
nas praias de Chiloé para dançar. Se Pincoya termina a dança viranda para o mar
é um sinal de abundância, mas se essa se encerra de frente para as areias da
praia é indicativo de tempos “magros”. É a alegria que atrai a Pincoya dos marés
até a praia para essa dancinha, portanto, mesmo em situação de pobreza, os pescadores
chilotes cantam, dançam e fazem curantos para que ela os veja e ajude. Parte do
mito conta que a Pincoya nasceu na bela lagoa Huelde perto de Cucao, e que ela é
uma mulher de pele ligeiramente bronzeada, cabelos dourados e, da cintura para
baixo, tem a forma de um peixe. Algumas noites, contam os chilotes, Pincoya assobia
ou canta canções de amor, as quais ninguém consegue resistir.
Como viram
acima, a Fiura também é temida. Ela,
uma mulher dos pântanos, é a deusa do vício e da perversidade. Fiura
vive a preparar maldades para os homens que a rejeitam, os enlouquecendo e os
tranformando em seres que vagam pelo mundo sem rumo. Algo me diz que as
mulheres devem adorar a Fiura! Kkkk.
Outra lenda famosa nas
ilhas é a do navio fantasma Caleuche,
com suas velas vermelhas e sua tripulação de feiticeiros. Conta a lenda, que nas
noites escuras, para esconder o navio, os feiticeiros provocam um denso
nevoeiro. À luz do dia, o navio se torna invisível ou se transforma em uma
rocha, e sua tripulação vira lobo do mar ou alcatrazes.
Do museu, fomos então
visitar o mercado da cidade e ver o preparo do famoso CURANTO.
Sobre o Curanto:
É a
tradição culinária mais importante de Chiloé. O autêntico curanto, o Curanto al Hoyo (=curanto no buraco), consiste
em mariscos e carnes cozidos ao vapor sobre pedras quentes e cobertos com as
grandes folhas da nalca para abafar. Tudo isso é preparado embaixo da terra por
horas.
O melhor
lugar para os corajosos o experimentarem é em Ancud, onde diversos restaurantes
oferecem o Curanto al Hoyo, acompanhado de chapaleles, milcao (um tipo de pão)
ou fritadas feitas de batatas. Ninguém em nosso grupo foi corajoso o suficiente,
e comemos um dos deliciosos peixes grelhados fresquinhos da região acompanhado
da fritada típica.
Nesta hora bateu fominha, e o guia nos levou
para almoçar no restaurante Casamar (Errazurriz
& Costanera s/no). Uma boa pedida, pois ali é servido o curanto,
mas também há opções de comida chilena e cozinha internacional. Comemos muito
bem, e eu o recomendo, principalmente pela beleza do lugar, com um mirante
atrás fantástico. A noite ele é transformado em um bar e nos fim de semanas há DJs
e pista de dança.
![]() |
| Mamy's na entrada do restaurante, onde se vê representadas as 16 igrejas preservadas mundialmente de Chiloé |
As Pinguineras
de Puñihuil ficam a cerca de 30 km de estradas de terra da cidade de Ancud. No
fim das estradas de terra, chega-se a uma praia, onde se pega um bote até as
pinguineras propriamente dito. Neste passeio, nós permanecemos dentro dos botes,
não se caminha entre os pinguins. Ele dura em média 40 minutos.
As vedetes
ali são, claro, os pinguins. Aqui é o único lugar onde se vêem os pinguins de Magalhães
e os pinguins de Humboldt juntinhos. Depois do verão, os de Magalhães migram para
o sul e os de Humboldt para o norte. Mas, além dos pinguins, nós vimos lontras,
cormorões Ferro, cormorões Lili, e o que eu mais gostei, as gaivotas com seus
gritos agudos e rasantes.
| O barqueiro que cantava imitando o grito das gaivotas. Um show e tanto! |
Na volta
ainda paramos em Ancud para um café e doces na La Confitería (Rosario 1010 esquina
com Imperial).
Retornamos
felizes para a nossa piscina aquecida em Puerto Varas, seguido de um jantar com
Pisco Sauer, mas essa é outra
história...
Bjks!!






















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