Na minha Buenos Aires: Museo Evita
Olá! Hoje, vamos conversar sobre a minha visita ao Museo Evita.
Como grande fã de história, eu curti e recomendo a visita a esse museu. Mas, é certo que apesar da Evita ser, ainda nos tempos atuais, adorada pelos argentinos, falar da sua figura sempre gera polêmica.
Vou começar o post lhes apresentando o museu. Ao fim, tecerei minhas opiniões e reflexões políticas sobre a visita.
O Museo Evita se localiza em uma mansão histórica belíssima em Palermo Botânico. Em estilo renascentista, ela foi construída por Estanislao Pirovano para a família Carabassa no início do século XX. Em 1948, a Fundación Eva Perón comprou, restaurou, e transformou essa mansão em uma espécie de abrigo para mulheres e crianças necessitadas.
Durante a ditadura militar, o edifício foi ocupado pelo governo e transformado em escritórios administrativos. Após um tempo de abandono, em 1999, ano em que foi declarado Monumento Histórico Nacional, ele foi adquirido pelo Instituto de Investigações Históricas Eva Perón. Passou por umas reformas, e, em 26 de Julho de 2002, o Museo Evita foi inaugurado por Cristina Alvarez Rodriguez, sobrinha neta de Eva P.
Só o casarão, já paga o ingresso!!
De forma macabra, o tour pelo museu começa com vídeos do enterro de Eva.
A seguir, no primeiro andar, entre fotos, cartas, vestuários, etc, sua infância e período como atriz nos são "contados". Nesta seção, fica claro que a mesma era pobre, foi abandonada por seu pai ainda muito jovem, e teve grande apoio de sua mãe, que com ela se mudou para a capital, para se tornar atriz. Em alguns trechos de suas novelas, que "vi" no museu, nota-se que ela não era nem muito bonita, nem muito talentosa. Mas, fez sucesso.... Por que?!? Era amante do coronel Aníbal Imbert, um militar linha-dura que controlava o conteúdo das emissões radiofônicas.
Em 1944, sua vida viria a mudar, pois ao participar de eventos para recolher fundos para as vítimas de um terremoto em San Juan, ela conhece o então coronel Perón.
No segundo andar, a história de Evita se desenrola entre diversos vídeos da época, fotos, capas de revistas, etc, etc. O destaque fica mesmo para os seus vestuários e as cartas trocadas com Perón por ocasião da sua prisão.
Seus trabalhos e programas sociais são detalhados neste andar. E como esta casa foi um abrigo da sua fundação, temos aqui retratado/reconstituido a capela e a cozinha.
A seguir, destacam-se a sua indicação pelo partido a candidata a vice presidente, sua negativa ao cargo, sua doença e morte aos 33 anos.
Na ultima sala, chama a atenção os esforços dos militares para apagarem o mito Evita do imaginário popular. Não apenas os seus bustos foram destruídos, como o seu corpo embalsamado foi seqüestrado, enviado a Itália e enterrado sob nome falso. Seu corpo só foi devolvido a família em 1976.
O museu é impressionante, e me despertou muito interesse os vídeos com os discursos de Eva Perón. Sua voz era potente e sua presença marcante. Como era atriz, é fácil entender como ela se tornou uma grande líder carismática.
Confesso, que fiquei impressionada com a forma com que ela, consciente ou não, foi usada pelos peronistas para "cativar" a população. Nossa! Os argentinos da época tinham altares em casa com a "santa Eva", enquanto essa passeava pela Europa...
Quanto aos seus programas sociais, mesmo que se respeite o momento histórico, chega a assustar toda a demagogia barata por trás deles. Será mesmo que era caridade que o povo queria e precisava?!? Enfim...
Endereço: Lafinur 2988.
De terça a domingo, das 11 às 19h.Visitas guiadas: De terça a domingo (em: espanhol, inglês, português e francês).
Duração aproximada: uma hora.
Reservas para grupos (instituições, escolas e turistas) podem ser coordenadas com reserva previa. Email: contacto@museoevita.org.
Não deixe de conhecer esse museu. Goste você ou não da Evita, conhecer a sua história é ainda hoje importante para entendermos a América Latina e suas nuances político/econômicas/sociais.
Aquele abraço!?!
PS: será que Evita tinha bolsa família?!?



































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