A Série Lugares Secretos que Indico , hoje, no Complexo Santa Croce, em Florença


Olá, galerinha!! O Complexo Santa Croce, em Florença, não é bem assim secreto. Mas. o fato é que há tantas atrações em Florença que o viajante, que geralmente fica 3 dias na cidade, não sabe muito bem onde ir. E, essa é a minha dica: jamais deixe Santa Croce fora do seu roteiro. Nele, vocês vistarão não somente a Basílica de Santa Croce, uma das mais antigas e maiores basílicas franciscanas do mundo, com afrescos de Giotto e obras dos gigantes Brunelleschi e Donatello. Há ainda, os claustros, o Museo dell’Opera, a fantástica Capela Dei Pazzi, e a Scuola di Cuolo (Escola do Couro). Muita arte e arquitetura na veia!! Mas, querem saber? Tem mais emoção nesta visita...Na basílica, se encontram os restos mortais dos grandes mestres Renascimento, o que levou alguns a apelidá-la de “O Templo das Glórias Italianas“. Ou seja, o Panteão dos grandes nomes italianos.

O complexo fica na praça de mesmo nome, onde a fachada neogótica da basílica, projetada por Niccolò Matas, com os típicos tijolos de pedra calcária florentina rouba a cena.


erguida entre 1294 e 1385, por quase 500 anos ela permaneceu inacabada. Foi somente em 1850 que Niccolò Matas terminou os trabalhos.
fachada de mármore branco, verde e rosa com a estrela de David. Esta, embora não seja desconhecida como um símbolo cristão, é atribuída, aqui, à fé religiosa do arquiteto.
À esquerda da basílica, vemos o monumento a Dante, de 1865, ocasião do aniversário de 600 anos do poeta.

A entrada da basílica fica a esquerda da fachada, no largo Bargellini.



Começamos a visita ao complexo pela imponente basílica, projetada em "T" por Arnolfo di Cambio. Lá dentro, nos chama a atenção o chão coberto com lápides antigas, e a riqueza das capelas laterais. Isso porquê, apesar do espírito franciscano que prega a simplicidade, essas foram destinadas às tumbas das mais importantes famílias de Florença à época.





Como eu disse, seu interior é uma riqueza, onde vou destacar apenas as principais obras.


  1. Nas paredes: afrescos, de Giotto e seus alunos, que retratam as “Histórias de São Francisco”; 
  2.  Obras de Donatello: um belo crucifixo (de 1425) e uma Anunciação (1433-1435);
Anunciação Cavalcanti


   3.Túmulo de Vittorio Alfieri do principal escultor de época                    neoclássica, Antonio Canova;
   4.Libertà della Poesia (1877), do italiano Pio Fedi, que pode ter          inspirado a Estátua de Liberdade, apesar das suas formas mais            femininas. Encontra-se no monumento ao poeta Giovan Battista          Niccolini.





clique aqui para ver melhor o mapa da basílica com a localização
das principais obras  

Antes de falar sobre as capelas, vou lhes mostrar as tumbas, que são, no total, 276. Falo logo delas porque foi a parte mais emocionante da visita quando me aproximei dos restos mortais de Michelangelo Buonarroti. Ele, na verdade, morreu em Roma, em 1564, mas foi trazido às escondidas pelo seu sobrinho Lionardo por ordem do grão-duque Cosimo I. Diz a lenda, que o gênio escolheu esse local para ser sepultado, pois queria que a primeira coisa que visse no dia do Juízo Final fosse a cúpula de Brunelleschi (através das portas de Santa Croce).




Em frente ao o túmulo de Michelangelo, encontramos o de Galileo, que morreu em 1642, projetado por Giovanni Battista Foggini.

Como vocês sabem, ele foi perseguido pela Inquisição romana devido ao seu postulado de que a Terra gira em torno do Sol. Assim, seu monumento só foi construído em 1737, quando permitiu-se um enterro cristão para os seus restos mortais.

em 1737, o último grão-duque da Família Medici decidiu dar à Galileo Galilei um túmulo digno de sua estatura histórica

Outros túmulos procurados pelos turistas são os de: Niccolò Macchiavelli, que viveu entre os séculos XIV e XV, autor de “O Principe”; Leonardo Bruni, um renomado diplomata florentino; Gioachino Rossini, autor da ópera “O Barbeiro de Sevilha”, que morreu em 1868.


O misterioso Dante Alighieri, apesar de ter passado grande parte de sua vida no exílio, é um nome fortemente ligado a Florença graças as suas obras atemporais. Assim, há na basílica um monumento`em sua homenagem, apesar de seus restos estarem em Ravenna, onde faleceu em 1321.



Há, ainda, um monumento a Da Vinci.


A Capela Mor, afrescada por volta de 1380, por Agnolo Gaddi (filho de Taddeo e discípulo de Giotto), conta a complexa história da madeira da cruz de Cisto. Logo a seguir, encontra-se a Capela Peruzzi onde são contadas as histórias de São João Batista e São João Evangelista, através dos afrescos pintados por Giotto (que em amo!!). Também pintada por Giotto, que aqui estava no auge, há a Capela Bardi com as histórias de São Francisco.

Capela Bardi
Ainda do lado direito da basílica: a Capela Baroncelli com histórias da Virgem (1332-38) afrescada por Taddeo Gaddi, e a Capela Castellani por Agnolo Gaddi.

Capela Castellani
Capela Baroncelli




Capelas do lado esquerdo: a Capela Flea-Berardi com afrescos de Bernardo Daddi (século XIV) e, sobre o altar, uma cerâmica vidrada de Giovanni della Robbia; a Capela de Bardi di Vernio, que conta as histórias de São Silvestre, por Maso di Banco. Cuidado já que a terceira capela do transepto também se chama Bari de Vernio, e é nesta que se encontra o famoso Crucifixo de Donatello. Alias, não só famoso, como polêmico, já que Filippo Brunelleschi falou que esse Cristo mais se parecia com um camponês na cruz. Ohhh!! A competição era braba naquela época, e, para se mostrar superior, Brunelleschi esculpiu o crucifixo que hoje vemos na Santa Maria Novella.


Merece destaque, também, a Capela dos Medici, obra de Michelozzo, que possui um retábulo de cerâmica feito por Andrea della Robbia e um belo baixo relevo de Donatello.

Muitas coisas bacanas em um só lugar, não? Pois, vocês sabiam que, em 1817, o escritor francês Stendhal descreveu, no livro “Firenze, Roma, Napoli”, que é possível se ter uma espécie de reação psicossomática quando nos deparamos com obras de arte de extrema beleza concentradas em espaços pequenos? Verdade, é o lugar para se experimentar a tal "Síndrome de Stendhal" é na Capela Niccolini, no fim do transepto esquerdo.

Para acalmar a síndrome é hora de se sair para os claustros do complexo com suas belas arcadas.




Cappella dei Pazzi


fachada com pórtico de colunas coríntias, uma inovação na época

Os amantes de arquitetura não pedem deixar de visitar essa joia.


Projeto de Filippo Brunelleschi, para uma família rival dos Médici no século XV, ela só foi concluída 2 séculos após a morte do arquiteto. Sua fama se deve ao emprego da chamada “Proporção Áurea”. Incrível como no seu interior a luz se difunde sem produzir sombras!!!!!!!



No interior bem simples, se destacam as decorações, em terracotta invetriata, de Luca della Robbia que ilustram os Apóstolos e Evangelistas.




Próxima parada no Museo dell’Opera onde se destacam:“Madonna con il bambino e i santi” de Nardo di Cione; a estátua de San Ludovico de Donatello; "A descida de Cristo ao Limbo" de Agnolo Bronzino; o monumento funerário de Gastone Tino Torre Camaino; terracottas invetriatas de della Robbia, e algumas atribuídas a Giotto.





O antigo refeitório do mosteiro foi pintado por Taddeo Gaddi, e nele podemos apreciar "A árvore da Vida" e o mais antigo com o Cenáculo  ("A Última Ceia") do mundo (1340). Apesar de tudo isso, a obra mais valorizada do museu é o Crucifixo de Cimabue, de 1280.

Bem pessoal, toda essa esplendorosa visita dura cerca de 1 hora e meia. O ingresso custa 8€. O complexo abre: de segunda a sábado, das 9:30-17h; aos domingos das 14-17h. 

Florença é cheia de lojas de artigos de couro, um artesanato que surgiu ainda na Idade Média. Assim, quem tiver curiosidade pode vistar a Scuola del Cuolo, que por sua vez surgiu após a II Guerra Mundial com o objetivo de acolher os órfãos e ensiná-los um oficio. A sua entrada fica entre a Sacristia e a Capela Medici, ou pela Via di San Gusepppe 5R. Abre diariamente das 10-18h.

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Por hoje era isso... Bom domingo, galera!!

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