Igreja da Misericórdia de Viana do Castelo, um exemplo único do barroco alegre


França, Espanha e Portugal são países com grandes tradições católicas. Portanto, não é de se admirar a beleza de suas igrejas. Em Portugal, são tantas, e tão belas, que seja uma hora na viagem que elas quase começam a perder o seu encanto... se é que me entendem.


Todavia, hoje, vou lhes indicar duas que me surpreenderam positivamente. Talvez, elas não sejam as mais bonitas que visitei. Entretanto, não são tão badaladas, e não havia lido quase nada sobre elas antes da viagem. Assim, foram de fato uma surpresa.

Primeiro, vou falar da Igreja da Misericórdia de Viana do Castelo. Como diz o seu nome, é a igreja da Santa Casa de Misericórdia desta cidade. A a confraria da Misericórdia de Viana foi fundada em 1520, época das grandes navegações. E, Viana naquela ocasião era uma vila de grande destaque, quase uma segunda Lisboa. Assim, como grana não era um problema, construiu-se, em 1589, a "Casa das Varandas". Um exemplo único na arquitetura portuguesa dada a forte influência das cidades do norte europeu, como Veneza e as flamengas, em sua fachada. Sim, porque os navegadores partiram, e ao retornar trouxeram essas ideias "fora da caixa".



Praça da Republica, a principal da cidade, onde também se encontram o Museu do Traje, o Antigo Paços do Concelho (na foto como simbolo do Outubro Rosa), a fonte, e a Estátua de “Caramuru”. Curioso é o que o chafariz da praça foi construído por Joao Lopes , o Velho. Já, a Santa Casa, pelo seu filho, o Novo. 
 




Lembra Veneza, ou não?!?



Ao seu lado, havia uma igreja pequena e sem gracinha. No inicio do século XVIII, a cidade passou por um novo surto de riqueza, graças ao ouro brasileiro. Logo, resolveu-se reconstruí-la. Em apenas 6 anos!?! De 1716 a 22, ergueu-se um esplendor do barroco. Vibrante, festivo, e altamente moderno para época. O que é fácil de se entender, já que na ocasião contou-se com grandes nomes, como: o engenheiro militar vianense Manuel Pinto de Vilalobos; Ambrósio Coelho,  responsável  pela talha em estilo nacional; Policarpo de Oliveira Bernardes, pintor dos azulejos; e Manuel Gomes, autor dos afrescos do teto.






Os azulejos são belíssimos e muito bem preservados!!







Ela não é grande, mas é exuberante sem ser opressiva. E, dizem até que podem ter influenciado a tradição alegre e rica dos trajes tradicionais das minhotas.



A temática são as 14 obras da misericórdia.


Muito ouro brazuca...




Os destaques são a boa acústica e o "A Ultima Ceia" de Antonio de Oliveira Bernardes, do séc. XVIII. Uma curiosidade: dizem que o resto na pintura é o dou autor da obra?!?!






Harmonia e espiritualidade.





Visitas à  Igreja ao Museu e Exposições: de segunda à sexta das 9:30-12:30 e das 14:30-18:30h; sábados das 10-12h e das 15-17h.

Imperdível, meu povo!!

Aquele abraço!!

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