Roteiro de um dia em Heidelberg
Heidelberg é um lindinha cidade universitária. Um lugar onde eu passaria fácil uns três dias, mas para nós que moramos longe, em geral, só nos sobra um dia mesmo em cada cidade.
Sem problemas. Como mostrei neste post, Heidelberg cabe direitinho em um bate-volta desde Frankfurt. De trem a viagem dura cerca de 50 minutos e a passagem, comprada com antecedência, custa cerca de 20 euros "cada perna". Não é baratinho, né? Por isso, sugiro que usem o ônibus da Fixbus que faz o trajeto em mais ou menos 70 minutos e custa entre 6 e 8 euros dependendo do horário.
O embarque em Frankfurt é na rua lateral a estação de trem, e em Heidelberg também desembarcamos perto da estação. Daqui pode-se ir a pé até a Universitätsplatz, mas aconselho que peguem o ônibus 32 até lá (a passagem pode ser paga ao próprio motorista). Mas antes de pegar o ônibus, passem no Centro de Informação Turística (Willy-Brandt-Platz 1; abre das 9-19h), na saída da estação.
A ideia é que peguem o Fixbus em Frankfurt às 8h, então ao chegar na praça, partam direto para o Café Gundel (Grabengasse 6) e tomem um gostoso café da manhã. De barriga cheia, explorem a Universitätsplatz cujos destaques são:
- a Löwenbrunnen (fonte do Leão do Palatinado) que foi uma parte importante do abastecimento de água para a cidade durante vários séculos
- a Antiga Universidade (não deixem de vistá-la, detalhes neste post)
- a loja Käthe Wohlfahrt (Hauptstraße 124)
Depois da visita, sigam até a Jesuitenkirche (Schulgasse 4), em estilo barroco. Os seus destaques são a pintura do altar central, criada por Andreas Müller, um estudante de Kaulbach, e o túmulo do Príncipe Eleitor Friedrich, o Vitorioso. A leste dos portais da igreja, há a entrada do antigo Colégio dos Jesuítas. Originalmente, o complexo também incluía a Escola dos Jesuítas e o "Seminarum Carolinum". Hoje, esses edifícios são usados pelo seminário filosófico e pela administração da universidade.
No caminho até a Peterskirche (Plöck 70), reparem na torre Hexenturm (Grabengasse 3-5). A Peterskirche é a igreja mais antiga da cidade e partes da sua torre datam do século XII. Em seu cemitério estão sepultados diversos cidadãos ilustres da cidade e professores universitários. Mas, o grande destaque aqui é o grande carvalho a leste da capela-mor que foi plantado em 1883 em memória do 400º aniversário de Martinho Lutero.
Voltem para a praça e sigam a bela rua, cheia de cafés e lojinhas, Hauptstraße. Antes disso, quem tiver tempo pode dar uma olhadinha na bela biblioteca, em estilo Jugendstil, da universidade (entrada pela Sandgasse; free) que foi construída entre 1901-5 e abriga mais de 2 milhões de volumes, sendo uma das maiores da Alemanha.
Na Hauptstraße 159, não deixem de parar na Alte Brennerei que oferece uma enorme variedade de licores, com destaque para o "Melon-Schnapps" e o "Sour Cherry Schnapps", e azeites.
Entrem na Untere Straße, e depois sigam para Pfaffengasse onde se encontra o local de nascimento de Friedrich Ebert, o primeiro presidente da República de Weimar. Agora, vocês terão o primeiro look do Rio Neckar e da Alte Brücke. Tirem umas fotos, mas não gastem muito tempo aí, pois mais tarde voltarão a esse ponto. Entrem na Haspelgasse e caminhem até o numero 16 para comprar os famosos studentenkuss ("beijo de estudante"), que é uma especie de praliné coberto de chocolate amargo e nougat sobre uma base feita de waffle. Ele foi feito pela primeira vez em 1863 no café mais antigo de Heidelberg, o Café Knösel, logo ao lado.
Andem um pouco mais e estarão na Marktplatz, que não apenas é praça mais antiga da cidade, como é o ponto mais turístico e central da mesma. Ou seja, é onde as coisas acontecem. Seus destaques são:
Herkulesbrunnen Heidelberg, com a estátua de Hércules (1703)
- a florida Rathaus (Prefeitura)
- a Heiliggeistkirche (Igreja do Espírito Santo) que é meio sem gracinha, mas tem uma torre, com 38 metros de altura, de onde se tem belas vistas da cidade (2 euros)
Ela foi mencionada pela primeira vez em 1239.
- o Hotel zum Ritter (Hauptstraße 178) que foi construído em 1592 para a família de um rico comerciante de tecidos. Esse belo edifício renascentista foi a única casa da cidade que sobreviveu ao grande incêndio (1693) durante a Guerra de Sucessão do Palatinado, e já serviu como prefeitura da cidade de Heidelberg, entre 1693 a 1703.
Antes de continuar o passeio, sentem-se na praça para tomar uma cerveja e apreciar o vai e vem de locais e turistas.
Depois, andem até a Kornmarkt, a antiga localização do mercado de grãos de Heidelberg. Seu grande destaque é a estátua da Madonna (de 1718), em
estilo barroco. Sua história: nos séculos XVI e XVII o Palatinado era
totalmente de religião protestante. Todavia, em 1685, ela recebeu um Eleitor
católico que tentou converter seus súditos à fé católica, o
que levou a construção desta Madonna.
A próxima parada é na Karsplatz, que foi sede de um monastério no século XIX. Seus destaques são: a fonte no meio da praça que é uma homenagem a Sebastian Münster, um humanista e
cosmógrafo alemão do século XVI; a Academia das Ciências de Heidelberg.
É deste ponto que se tem as melhores vistas do Castelo de Heidelberg
A praça é cheia de restaurantes e cafés convidativos. Que tal outra cervejinha?!? Ou, não...
E, entre atrações, cervejas e fotografias, chegou a hora do almoço... Minha dica é o Palmbräu Gasse (detalhes neste post). Antes, ou depois, do almoço deem um pulo no Café Gugel (Hauptstrasse 212) para comprar um Kurfürstenkugel, o famoso doce da cidade, de sobremesa.
A tarde é hora de conhecer o Castelo de Heidelberg, então sigam até o funicular (compre a passagem em um estacionamento; Zwingerstraße 21). O funicular inferior vai até o Castelo, em Molkenkur. Mas, sugiro que continuem o passeio por uma das ferrovias funiculares elétricas
mais antigas até o ponto mais alto da cidade, o Königstuhl. Ele está a 568
metros de altura, e oferece uma vista fabulosa de Heidelberg e do Vale do Neckar
de encontro ao Vale do Reno. Lá em cima há diversas atrações, como: várias trilhas, a falcoaria Tinnunculus, o
"Märchenparadies" (um parque temático para as famílias), e um observatório.
Na volta desembarquem em Molkenkur para enfim conhecer o Castelo. A visita a ele consiste basicamente em apreciar os antigos e belos edifícios palacianos típicos do
Renascimento Alemão e do Gótico, que possuem esculturas magníficas adornando as fachada. Pode-se, no entanto, fazer uma visita guiada ao seu interior para conhecer a decoração de alta qualidade que foi mantida (tour em inglês às 11:15/12:15/13:15/14:15/15:15/16:15h; 12 euros).
O complexo levou mais de 400 anos para ser construído e foi sede do Palatinado da Casa dos
Wittelsbach. A Guerra dos Trinta Anos e o conflito com a França, em 1689,
acabou com todo o seu esplendor e grande parte de sua estrutura foi destruída.
O Ottheinrichsbau é o o edifício mais importante do conjunto, e o prédio original,de quatro andares, abrigava várias
áreas de convivência, como: uma sala de audiências; o Herrensaal (Salão dos
Cavaleiros) e um grande salão de festas, o Salão Imperial. O Eleitor
Ottheinrich (1502-159) ordenou a sua construção durante seu breve período de
governo entre 1556 e 59. Seu sucessor Friedrich III completou o palácio dez
anos depois.
As fachadas com suas elaboradas figuras decorativas foram criadas pelo escultor flamengo Alexander Colin (1526-1612) e retratam personagens do Antigo Testamento, além de figuras de deuses e deusas, e os nomes dos grandes planetas.
Nele se localiza o imperdível Museu da Farmácia Alemã, de 1958, cuja entrada está incluída no ticket.
Passem também no famoso Fassbau (Edifício do Barril), onde existe um dos
maiores barris de vinho do mundo, datado do século XVIII, que comporta 221.726 litros.
Cerca de 130 carvalhos foram usados para a construção desse monumental tributo ao álcool. E, quem desejar pode subir uma escada e ir até a “pista de dança” em cima dele.
Não percam ainda o Ruprechtsbau, em estilo Gótico, que é o edifício mais antigo do castelo, erguido em 1400 por Ruprecht III.
Sugiro que desçam a pé, e sigam até a Chocolaterie YilliY (Haspelgasse 7) para um rápido lanchinho, ou sentem-se em um restaurante/bar na encantadora Steingasse.
La Boheme Heidelberg
(Steingasse 11)
Antes de se encaminharem até o Brückentor, do seculo XIII, parem na Heidelberger Bonbon Manufaktur (Steingasse 4). Atravessem a Alte Brücke (Ponte Velha) sobre o Rio Neckar (detalhes neste post). Mas, não sem antes tocar e fotografar o Brückenaffee.
Do outro lado do rio, conheçam o Liebesstein
Ziegelhäuser (Landstraße 2), um arenito que fica no lado norte da Ponte Velha, e onde o letrista alemão Joseph von Eichendorff se encontrava com sua crush. O lugar foi imortalizado no poema Kaethchen, em
homenagem à dita garota.
Depois de uns beijos na boca, quem tiver fôlego deve fazer o Caminho dos Filósofos (Philosophenweg) que trata-se de uma trilha asfaltada onde os professores universitários e os filósofos de
Heidelberg iam refletir e desfrutar da vista encantadora do Neckar. Essa visão da cidade inspirou também os poetas Eichendorff e Hoelderlin
em suas caminhadas para escrever seus poemas. Entre as atrações desta caminhada estão: a Pedra Eichendorff com
um relevo de bronze do poeta; a Merian-Kanzel, uma plataforma de arenito de
onde em 1620 Matthaeus Merian imortalizou Heidelberg em uma gravura; o Hoelderlin-Anlage, uma área na extremidade oriental do Caminho dos Filósofos
dedicada ao poeta Hoelderlin; o
"Philosophengaertchen", um jardim com clima temperado perfeito para cerejeiras japonesas, ciprestes, limões, bambus, rododendros, e várias
outras plantas do Mediterrâneo, Norte da África e Ásia. Daqui pode-se subir mais e ir até o Thingstätte, um anfiteatro que data do período nazista. Seguindo o
caminho, chega-se a um segundo pico onde se localizam as ruínas da Abadia de Miguel. A partir daqui se tem uma
vista impressionante sobre o vale do Neckar, todavia fiquem alertas: a subida é bem "barra pesada".
Depois de todo esse esforço, atravessem a Ponte Theodor Heuss e na agitada Bismarckplatz tomem um bom gelato no Eiscafé Venezia (Fahrtgasse 18).
Daqui caminhem uns 20 minutinhos até o Schilling Roofbar (Alte Glockengießerei 9), um sushi bar que oferece lindas vistas de Heidelberg.
Após um pôr-do-sol inesquecível, retornem até a estação, peguem, então, o Fixbus ou um trem de volta a Frankfurt.
As atrações:
Percursos no mapa:
Beijos e boa viajem!!



















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