Lembranças de um triste e conflituoso passado em Berlim: as reminiscências do III Reich


Vocês que seguem o blog sabem bem que eu gosto muito de História, sobretudo a do período referente a Segunda Guerra Mundial. Ano passado, viajei pela Alemanha, Polônia e pelos Países Bálticos que são lugares que viveram dias muito amargos no século XX. Certamente, o passado, já não tãao recente, pode ser sentido ao se caminhar pelas ruas... Afinal, ainda há, nestas regiões, pessoas vivas que presenciaram todos esses acontecimentos históricos. E, não há apenas pessoas, mas também diversos edifícios relacionados ao III Reich e ao domínio soviético durante a Guerra Fria.


A maioria desses pontos se tornou atração turística, muitos dos quais são museus onde essas historias são contadas através de fotos, filmes e documentos. A ideia é sempre recordar, e recontar, para que as gerações futuras não cometam os mesmos erros.


Na minha opinião, toda a historiografia desses museus os tornam atrações super especiais. Mas, mais do que aprender, e apreender, o que mais me emocionou, nestas viagens, foi a sensação quase palpável de tempos passados que há em certos locais... 


Nos próximos domingos, farei uma espécie de retrospectiva onde falarei sobre as diversas atrações, presentes nas cidades visitadas, relacionadas a II GM e a Guerra Fria. Hoje, falarei sobre Berlim.


Berlim traz a lembrança de qualquer pessoa memórias do Terceiro Reich, da Segunda Guerra Mundial, da Guerra Fria e do Muro de Berlim. Então, vamos ver alguns roteiros e algumas atrações...


Antes, um resumão da História do Terceiro Reich:



Terceiro Reich (oficialmente, desde 1943, Grande Reich Alemão), ou Alemanha Nazista, é como foi conhecido o país entre os anos de 1933 e 1945, quando o seu governo era controlado por Adolf Hitler e pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP). Adolf Hitler chegou ao poder em 1933, quando o Partido Nazista tornou-se o maior partido eleito no Reichstag. Na ocasião Paul von Hindenburg era o presidente da República de Weimar. Mas, Hindenburg morreu em 2 de agosto de 1934 e Hitler se tornou ditador da Alemanha, quando os poderes e escritórios da Chancelaria e da Presidência foram fundidos. Um referendo nacional, realizado em 19 de agosto de 1934, confirmou Hitler como o único Führer (líder) da Alemanha. Em seus primeiros seis anos no poder, a economia alemã recuperou-se da Grande Depressão, as restrições impostas ao país após a Primeira Guerra Mundial foram ignoradas e territórios na fronteira, lar de milhões de Volksdeutsche (alemães étnicos), foram anexados. Com tudo isso, o  Führer ganhou muito apoio popular.

Os nacional-socialistas tinham ideias grandiosas e queriam criar uma nova ordem. Seus projetos visavam bens culturais e o rejuvenescimento espiritual na Alemanha sob o Terceiro Reich. Neste contexto, a arquitetura, sob o comando de Albert Speer, teve um papel especial. E, como o Führer era um era um admirador do Império Romano, o estilo predominantemente empregado foi o neoclassicismo ou o classicismo despojado, que também possui toques de Art Déco.

Na cabeça de Adolf Hitler, Berlim seria a capital do Terceiro Reich, que por sua vez seria internacionalizado. Ou seja, Berlim seria a capital do mundo. Dessa forma, a cidade foi meio que reconstruída durante o Período Nazi, já que o Führer era obcecado em torna-la mais bonita que Paris.

Em 1 de setembro de 1939, Hitler ordenou a invasão da Polônia, resultando na declaração de guerra por parte do Reino Unido e da França alguns dias depois. Em junho de 1941, Hitler invadiu a União Soviética. Em meados de 1942, a Wehrmacht e as tropas do Eixo já ocupavam boa parte da Europa continental, do Norte da África e quase ¼ do território soviético. Contudo, após falharem em conquistar Moscou e serem derrotados em Stalingrado, as forças nazistas começaram a retroceder. A entrada dos Estados Unidos na guerra, ao lado dos Aliados, forçou a Alemanha a ficar na defensiva, acumulando uma série de derrotas a partir de 1943. Em 30 de abril de 1945, as tropas soviéticas estavam a apenas algumas horas de marcha da Chancelaria do Reich quando Hitler cometeu suicídio com um tiro na cabeça. Berlim se rendeu em 2 de maio e a Alemanha Nazista capitulou formalmente seis dias depois. Nesta ocasião, a cidade estava parcialmente destruída e, subsequentemente, foi dividida entre as potencias vitoriosas. O pouco que restou da Berlim de Hitler foi demolido para remover aquelas marcas tristes, e potencialmente inspiradoras (do mal), da história.

Memórias e reminiscências do III Reich






Celebração de aniversario de 50 anos de Hittler




Os planos grandiosas para a arquitetura de Berlim






Para entender melhor a história da Alemanha e a ascensão e queda do III Reich, recomendo que visitem ao menos um desses museus:


1. Deutsches Historisches Museum (Museu Histórico Alemão)


Tudo sobre o museu, neste post.
















A terrível SS












Endereço: Unter den Linden 2. Horário de Funcionamento: aberto diariamente das 10 às 18h. Preço: 8€. Está incluído do MuseumPass.



Este novo museu, ao lado do Portão de Brandemburgo, apresenta 300 anos da história de Berlim através de uma variedade de telas multimídia. Os principais eventos incluem a Revolução Alemã de 1848-9, as duas Guerras Mundiais, e até mesmo a Copa do Mundo da FIFA de 2014. Endereço: Pariser Platz 4A. Horário: sábado e domingo das 10–20h. Preço: 5€.


Museu multimídia bem moderno que retrata os mais de 800 anos de história de Berlim. Possui, ainda, no seu subsolo um bunker da Guerra Fria (serviria de de abrigo em caso de um ataque nuclear). Endereço: Kurfürstendamm 207-208. Horário: diariamente das 10-20h (entrada aberta até às 18h). Tours guiados horários. Preço: 12€. Temporariamente fechado.

O que restou...

Reichstag, famoso Parlamento Alemão

Não era lá que Hitler governava, mas foi palco de um dos mais importantes eventos da era nazista: o incêndio de 27 de fevereiro de 1933, pouco tempo após Hitler ter se tornado chanceler da Alemanha. Como um holandês comunista foi encontrado na cena do crime, Hermann Göring culpou todos os comunistas pelo atentado. Logo, foi aprovado um decreto emergencial que instituiu a prisão em massa deles. Dessa forma, restou ao governo de Hitler pouca oposição. Hoje, ele é muito visitado graças a sua bela cúpula que foi reconstruída nos anos 90, já que a original havia sido destruída neste incêndio. Endereço: Platz der Republik 1. Horário: diariamente das 8h à meia-noite/tours a cada 15 minutos (última entrada às 22h). Entrada grátis, mas é necessário marcar a vista previamente aqui. Obs: há uma revista como nos aeroportos, então vá com a bolsa/mochila vazia.


Soldados vermelhos na chegada à Berlim








A Neue Kirche ou Deutscher Dom, na Gendarmenmarkt (nesta praça, Leonard Bernstein deu o concerto para celebrar a queda do Muro em 1989.), hoje é um museu que versa sobre a história do Parlamento. É grátis, e vale a pena uma exploração rápida. Horário: de terça a domingo das 10 às 18h (19h, entre maio e setembro).

Gendarmenmarkt








O suntuoso prédio de mármore vermelho onde funcionava a Chancelaria do Terceiro Reich não existe mais, pois foi bombardeado no final da guerra. Ademais, seu endereço não é divulgado para evitar o culto neonazista. Todavia, o que poucos sabem é que todo aquele mármore foi usado na reconstrução da estação de metrô Mohrenstraße e, ainda, no Memorial de Guerra Soviético (uma homenagem aos soltados soviéticos mortos na liberação de Berlim), no Parque Tremptower.




Fuhrerbunker (In den Ministergärten)

Esse bunker foi sede do regime nazista de Janeiro a Abril de 1945. Nele, Hitler e Eva Brown se casaram em abril de 1945, e se suicidaram menos de 40 horas depois. Até pouco tempo atrás, sua localização era ignorada para evitar a peregrinação de neonazistas. Hoje, esse estacionamento, rodeado por prédios residenciais funcionais construídos na época da então Berlim Oriental (GDR), é muito visitado por turistas. Quem assistiu ao filme “Ele está de volta”, que conta como seria se Hitler ressuscitasse em pleno século XXI, vai se recordar que a cena do seu retorno foi filmada neste ponto.


Saída de emergência e entrada de bunker em 1944


Após a destruição em 1945





Assistam "A Queda As Últimas Horas de Hitler" que se passa nesse bunker. 


A placa explicativa colocada por alguns berlinenses para não deixar a história morrer. O bunker foi detonado pelos soviéticos, mas dizem que ele era tão profundo que é bem possível ainda existir uma estrutura intacta lá embaixo.


Bunker da Anhalter Bahnhof

Perto de onde funcionava a antiga estação de trens Anhalter Bahnhof, ficava outro bunker de Hitler, meio escondido atrás de uma fachada de tijolos vermelhos. Atualmente, no antigo bunker funciona o Museu de História de Berlim. Endereço: Schöneberger Str. 23A. Diariamente das 10-19h.

É difícil de se perceber quando se anda desatentamente pela WilhelmStraße, mas era nessa rua que se instalavam os prédio ministeriais do III Reich. Um olhar mais atento, no entanto, nos permite perceber os prédios em estilo neoclássico. No número 97, se localiza o atual Ministério de Finanças da Alemanha. E, foi exatamente ali que funcionou o Ministério da Aviação do Reich, criado em 1933. É de arrepiar passar em frente a famosa sede da  Luftwaffe comandada pelo Marechal do Reich Hermann Göring!!



Esse prédio foi construído em 1936, mesmo ano das olimpíadas de Berlim e da construção do Campo de Concentração de Sachsenhausen.




Na Wilhelmstraße 49 (Zietenplatz) se localiza atualmente o Ministério do Trabalho, mas esta já foi aí a sede do Ministério do Iluminismo Público e Propaganda do famigerado Joseph Goebbels. O edifício foi quase completamente destruído nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial, mas esse pequeno anexo sobreviveu.


Goebbels contava com nada menos que 1000 funcionários a sua disposição.




O Großer Saal fotografado durante o tour oficial no Dia das Portas Abertas.


O atual Ministério das Relações Exteriores (Werderscher Markt 1) se localiza onde no passado estava o Reichsbank, o Banco Central do Terceiro Reich, que durante a II Guerra Mundial administrava o ouro e propriedades dos territórios ocupados pelos nazistas. Na Berlim dividida, o prédio foi usado como o Ministério das Finanças da RDA e mais tarde como Haus der Parlamentarier.


Topografia do Terror (Topographie des Terrors)

Sabe a Gestapo, a polícia secreta de Hitler? Sua sede ficava neste terreno. Hoje, da sede restam apenas as fundações e o local onde existiam algumas celas e salas secretas, mas no passado ela contava com mais de 50.000 funcionários. E, sabe-se que durante a funcionalidade do prédio, mais de 15 mil opositores do regime foram ali aprisionados. Muitos nunca saíram vivos... Entre para ver a exposição que versa sobretudo sobre o terror que a Gestapo gerava nas pessoas. Endereço: Niederkirchnerstrasse 8. Como chegar: U2 ou S1/S2 Potsdamer Platz, Bus M29 parada Wihelmstr/Kochstr, Bus M41 parada Abgeordnetenhaus. Horário: diariamente, das 10 às 20h; as áreas externas ficam abertas até o anoitecer, mas nunca depois das 20h. Entrada grátis.

























Memorial do Holocausto (Denkmal für die ermordeten Juden Europas)

Inaugurado em 2005, o “Memorial aos Judeus mortos na Europa” tem como objetivo prestar uma homenagem às vítimas do Holocausto. Ele consiste de 2.711 blocos de concreto dispostos em um padrão de grade instalados em um terreno inclinado. Ao lado do Memorial há um Centro de Informações subterrâneo que contém os nomes de cerca de 3 milhões vítimas judias do Holocausto. Mas, sabe o mais interessante? Onde hoje funciona o memorial, é exatamente onde Goebbels, o poderoso ministro da Propaganda, mandou Albert Speer construir seu palácio oficial. No filme Operação Valquíria, o oficial nazista, Ernst Remer, vai prender Goebbels extramente nesta mansão. Endereço: Cora-Berliner-Straße 1. Memorial: aberto diariamente 24 horas por dia. Centro de Informações: de abril a setembro, de terça a domingo das 10h às 20h; de outubro a março, de terça a domingo de 10 às 19h. Entrada grátis.


Memorial da queima dos livros

Em 10 de maio de 1933, poucos meses depois da ascensão dos nazistas ao poder, um grupo de simpatizantes do regime invadiram a biblioteca da Universidade de Humboldt e queimam centenas de livros em plena Bebelplatz. Hoje, na praça há um memorial com a frase dita anos antes por Heinrich Heine (antevisão?): “Isso foi apenas um prelúdio: ali, onde se queimavam livros, ao final queimavam-se também pessoas.”. Há ainda uma sala subterrânea com prateleiras brancas e vazias.






Bendlerblock (um complexo de escritórios na Stauffenbergstrasse, ao sul do Großer Tiergarten em Tiergarten)

Na manhã de 20 de julho de 1944, Claus von Stauffenberg voou para uma reunião no Wolf's Lair, a sede militar de Hitler na Prússia Oriental. Em sua pasta, ele tinha uma bomba para matar Hitler e derrubar o regime nazista. A tentativa falhou. Na mesma noite, pouco depois da meia-noite, Stauffenberg e seus co-conspiradores foram executados no pátio do Bendlerblock, em Berlim. Quem viu o filme Operação Valkíria conhece bem essa história. Em 1980, em parte do Bendlerblock construiu-se o Centro Memorial da Resistência Alemã que homenageia não só Stauffenberg, mas também todas as outras pessoas e grupos corajosos que resistiram aos nazistas. Endereço: Stauffenbergstraße 13-14. Horário: de segunda a sexta das 9-18h (fecha às 20h nas quintas-feiras); sábado e domingo abre às 10h.

O aeroporto Tempelhof foi construído em 1926, mas durante o regime nazista ganhou, por encomenda de Hitler, um novo terminal. A ideia era transformá-lo, segundo o próprio ditador, na “ mãe de todos aeroportos”. Hoje, é um parque bem gostoso onde se pode pedalar no Verão. Segundo historiadores, embaixo da sua pista existem quilômetros de corredores onde funcionou uma fabrica de armas do Terceiro Reich. E, dizem que quando o exército vermelho invadiu Berlim, os nazistas inundaram e lacraram as entradas dessas oficinas, para evitar que a sua avançada tecnologia caísse na mão dos comunistas. Se isso for verdade, tais corredores ainda existem. Será?!?






Torres do Friedrichshain Park

A Flakturm do Friedrichshain Park foi o único complexo de defesa antiaérea nazista que sobreviveu relativamente intacta em toda Berlim.

Memorial Plötzensee (Charlottenburg)

O completo prisional de Plötzensee era onde os nazistas julgavam e executavam os traidores. Ao todo, cerca de 3 mil pessoas perderam a vida ali. O que sobrou de Plötzensee pode ser visitado, e a sala onde os condenados eram enforcados é atualmente um memorial. Endereço: Hüttigpfad 16. Horário: de março a outubro das 9-17h; de novembro a fevereiro das 9-16h.






Olympiastadion, a casa das Olimpíadas de 1936

Quem se lembra do jogo Brasil x Croácia na Copa do Mundo de 2006? Um belo estádio, não? Mas, o fato é que ele foi construído por Hitler entre 1934 e 1936 para os Jogos Olímpicos de Verão de 36. E, até hoje guarda traços da arquitetura original, desenhada por Werner March. Quem se interessar por ver mais sobre o assunto deve assistir ao filme Berlim 36. Endereço: Olympischer Platz 3 (Charlottenburg). Como Chegar: U-Bahn: Linhas U2, estação Olympia-Stadion. Horário de visita: de 20 de março a 31 de maio e de 16 de setembro a 31 de outubro, das 9 às 19h; de 01 de junho a 15 de setembro, das 9 às 20h; de 01 de novembro a 19 de março, das 10 às 18h.



No extremo oeste do estádio está localizado o Sino Olímpico, originalmente colocado no Campanário construído ao lado do estádio e destruído durante a II Guerra Mundial.


Localizações no mapa:



No próximo post, mostrarei outros lugares relacionados a história de II Guerra Mundial.


Até...

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