A Série Lugares Secretos que Indico te leva ao Bunker de Arte da II Guerra Mundial, em Nuremberg
Há alguns anos atrás, eu li um livro chamado "As Relíquias Sagrada de Hitler" de Sidney Kirkpatrick. Resumidamente, ele nos conta como, ao final da Segunda Guerra Mundial, dois alemães expatriados nos EUA (Felix Rosenthal e Walter Horn) com a ajuda de um prisioneiro de guerra (Fritz Hüber) e um grupo de ex-nazistas recuperaram as as Joias da Coroa do Sacro Império Romano e a Lança Sagrada (que teria dilacerado o flanco de Cristo na cruz).
O primeiro tenente Walter Horn, um agente da
inteligência americana, foi designado pelos generais Eisenhower e Patton para resgatar em Nuremberg as relíquias que tinham sido
roubadas pelos nazistas. Inicialmente, Horn teve enormes dificuldades junto aos oficias
locais, e foi somente ao interrogar Hüber que ficou
sabendo que havia um tesouro oculto num bunker sob o Castelo de Nuremberg. O
local tinha a entrada camuflada para parecer a garagem de uma loja de
antiguidades, e tal esconderijo ultrassecreto só era conhecido pelo Reichsführer
Heinrich Himmler e algumas poucas pessoas do alto escalão Nazi. Hüber só sabia
de sua existência porque seu pai fazia a manutenção do sistema de ventilação e
sua mãe limpava os artefatos escondidos. No bunker tinham vários tesouro, mas as
Joias da Coroa não estavam lá... Querem saber onde estavam? Leiam o livro.
Querem saber mais sobre as Joias da Coroa e onde elas estão agora? Leiam
esse post.
O livro possui várias fotos da Nuremberg pós guerra e, claro, do bunker. Mais tarde, fui pesquisar e descobri que ele foi, digamos, "reformado" e que atualmente pode ser visitado. Desde de então passei a sonhar com o dia em que iria conhece-lo. Finalmente, esse dia chegou em Setembro de 2018... Nesse post, vou compartilhar tudinho sobre a visita com vocês.
As visitas são sempre guiadas e com hora marcada. O guia fala em alemão, mas há audioguias em diversas línguas. É fácil entender tudo, pois há, ainda, diversos cartazes explicativos. Só lamentei um pouco não falar alemão, pois no audioguia o texto é fixo, já o guia vai respondendo perguntas e tipo "batendo papo". Fiquei com a sensação de que poderia aproveitar mais. Ademais é meio chato, pois o texto do áudio acaba bem antes da "falação" do guia em cada uma das paradas ao longo do trajeto. Mas, tudo bem...
Inicialmente, o guia nos explica a origem desses longos túneis subterrâneos de arenito. Mais de 700 anos atras, quando não havia refrigeração elétrica, as cervejarias locais eram obrigadas a manter essas adegas, que cobrem mais de seis acres sob quase todo o centro da cidade,.para manter as cervejas em baixas temperaturas. Na Idade Média, a água da cidade era muito contaminada, o que não era o caso da cerveja que era aquecida durante a fabricação. Dessa forma, o consumo desta era cerca de cinco vezes mais alto do que o atual. Naquela época, até as crianças bebiam cerveja, todavia a cerveja na antiguidade possuía no máximo de três por cento de álcool. Outra finalidade para a qual esses túneis foram usados foi a extração de água limpa, posto que a água da chuva que passava pelo arenito era bem mais saudável que a do rio Pegnitz. Com a adoção generalizada de refrigeração no final do século XIX, as cervejarias não precisaram mais dessas adegas de arenito, que foram, assim, adquiridas pela indústria de decapagem.
Os trilhos por onde passavam os "carrinhos" com os entulhos.
Ele fica bem próximo da Tiergärtnertor Platz.
Antes da guerra, esses misticos tesouros foram exposto nesta igreja de Nuremberg.
Em uma parte do tour, ouvimos sobre os chamados Monuments Men do Exército americano, cuja função era proteger a propriedade cultural em áreas de guerra durante e após a Segunda Guerra Mundial. Podemos entender como esses nobres homens encontraram o bunker de arte, conseguiram protegê-lo da destruição e pilhagem e, mais tarde, devolveram a arte e os artefatos roubados para seus donos. O resgate desse patrimônio artístico está todo documentado com fotos originais. Há, também, uma parte da visita, onde assistimos a uma apresentação audiovisual dos ataques aéreos que destruíram a antiga Nuremberg. De arrepiar o último fio de cabelo!!!
Altar Mor, de Veit Stoß, da Nossa Senhora de Cracóvia, de volta em sua "casa"
Um deslumbre!!
As visitas são sempre guiadas e com hora marcada. O guia fala em alemão, mas há audioguias em diversas línguas. É fácil entender tudo, pois há, ainda, diversos cartazes explicativos. Só lamentei um pouco não falar alemão, pois no audioguia o texto é fixo, já o guia vai respondendo perguntas e tipo "batendo papo". Fiquei com a sensação de que poderia aproveitar mais. Ademais é meio chato, pois o texto do áudio acaba bem antes da "falação" do guia em cada uma das paradas ao longo do trajeto. Mas, tudo bem...
Inicialmente, o guia nos explica a origem desses longos túneis subterrâneos de arenito. Mais de 700 anos atras, quando não havia refrigeração elétrica, as cervejarias locais eram obrigadas a manter essas adegas, que cobrem mais de seis acres sob quase todo o centro da cidade,.para manter as cervejas em baixas temperaturas. Na Idade Média, a água da cidade era muito contaminada, o que não era o caso da cerveja que era aquecida durante a fabricação. Dessa forma, o consumo desta era cerca de cinco vezes mais alto do que o atual. Naquela época, até as crianças bebiam cerveja, todavia a cerveja na antiguidade possuía no máximo de três por cento de álcool. Outra finalidade para a qual esses túneis foram usados foi a extração de água limpa, posto que a água da chuva que passava pelo arenito era bem mais saudável que a do rio Pegnitz. Com a adoção generalizada de refrigeração no final do século XIX, as cervejarias não precisaram mais dessas adegas de arenito, que foram, assim, adquiridas pela indústria de decapagem.
Na Segunda Guerra Mundial, os túneis receberam um novo
propósito: proteger 20.000 pessoas dos bombardeios. Juntamente, com alguns outros bunkers, que
foram criados na ocasião, a cidade foi capaz de abrigar cerca de 37.000 pessoas dos ataques aéreos. Apesar disso ser menos que um décimo da população, cerca de 400.000 habitantes, a propaganda nazista dizia que a cidade podia
abrigar todos os seus cidadãos nos bunkers. Mentira
descarada, mas, de fato, Nuremberg foi a cidade alemã que conseguiu proteger a maior
proporção de sua população dos ataques. Não se pode dizer, exatamente, que tal era uma "benesse" dos Nazis, já que Nuremberg esteve particularmente vulnerável
durante a Segunda Guerra Mundial por várias razões. Por um lado, era uma
importante cidade industrial e, portanto, de grande importância para a guerra
alemã. Por outro lado, Adolf Hitler lhe deu um significado especial em suas propagandas através do Reichsparteitage.
De fato, os bombardeios em Nuremberg foram devastadores, o
pior dos quais ocorreu em 2 de Janeiro de 1945. A cidade ficou em ruínas, só sendo superada por Dresden em termos de destruição. No fim do tour no bunker, o guia nos conta que já em 1944, o Ministro da Propaganda Joseph Goebbels teve a cara de pau (ou loucura) de realizar um inflamado discurso, no
mercado principal da cidade bombardeada, no qual ele disse a população que, com a moderna tecnologia de reconstrução, Nuremberg seria reerguida em um ano. Sabemos, hoje, que foram gastos mais de 25
anos para restaurar Nuremberg. Curiosamente, em Nuremberg utilizou- se, no pós guerra imediato, de prisioneiros para se recolher entulhos e bombas, o que difere de outras cidades alemãs onde foram as mulheres que fizeram tal trabalho. Também, achei curioso que os administradores da cidade realizaram um concurso de projetos para definir como seria a reestruturação do Centro Histórico.
Os trilhos por onde passavam os "carrinhos" com os entulhos.
Especificamente, o túnel subterrâneo da Obere Schmiedgasse foi utilizado com outros fins. O guia nos conta que o ministério responsável decidiu usá-lo para a proteção de obras de arte cerca de um ano antes do início da guerra. Um sinal claro, e chocante,de que a
política de Hitler foi projetada muito antes da eclosão do conflito. Mas, por que especificamente este foi o escolhido para esse fim? Porque, no final dos anos 30, ele era posse do poder municipal, enquanto outros eram propriedade privada. Além
disso, ele é acessível por uma rampa inclinada, enquanto outras passagens
subterrâneas não eram acessíveis sem escadas, logo teria sido impossível
levar os tesouros de arte pesada para lá. Sua localização também
desempenhou um papel importante, já que o bunker de arte está diretamente abaixo do castelo e fica sob
um teto de arenito de 24 metros de espessura, sendo portanto mais seguro.
Ele fica bem próximo da Tiergärtnertor Platz.
Ele foi, então, na ocasião, preparado para o nobre fim. A antiga cave foi conectada por túneis estreitos em uma rede de
esconderijos como uma teia de aranha, um complexo e completo sistema de ventilação e iluminação foi instalado, as entradas foram fortificadas, cofres fechados para as obras de valor
inestimável foram acrescentados, e rotas de
fuga ocultas criadas. Além disso, construíram-se instalações precárias
de habitação para os guardas, foi instalado um sistema de ar-condicionado
simples, assim como células de armazenamento à prova de umidade.
Ao caminhar pelos gelados túneis (sim, levem um casaco), fiquei imaginando os caixotes com as obras camufladas sendo levados para o bunker... Voltei no tempo e senti muita emoção ao adentrar aos cofres onde ficaram guardadas, e protegidas, as maiores preciosidades da humanidade. Para o bunker foram levado(a)s: a Anunciação ("Englischer Gruß") de Veit
Stoß da Lorenzkirche; o relógio mecânico ("Männleinlaufen") da
Frauenkirche; pinturas, gravuras e livros de Albrecht Dürer; altares, vitrais e
coro de diversas igrejas da Cidade Velha; o Codex Manesse; o primeiro globo de Martin Behaim; diversos instrumentos
científicos, relógios e instrumentos musicais históricos do Germanisches
Nationalmuseum; o Sachsenspiegel; o Manessische
Liederhandschrift; o famoso retrato de Lucas
Cranach do reformador Martinho Lutero; etc. E, claro, as já citadas relíquias e a Insígnia Imperial do Sacro Império Romano.
O Altar Mor, de Veit Stoß, da Nossa Senhora de Cracóvia que foi repatriado depois de muita confusão.
A principal sala/cofre onde ficavam as Joias da Coroa do Sacro Império Romano e a Lança Sagrada.
Antes da guerra, esses misticos tesouros foram exposto nesta igreja de Nuremberg.
Em uma parte do tour, ouvimos sobre os chamados Monuments Men do Exército americano, cuja função era proteger a propriedade cultural em áreas de guerra durante e após a Segunda Guerra Mundial. Podemos entender como esses nobres homens encontraram o bunker de arte, conseguiram protegê-lo da destruição e pilhagem e, mais tarde, devolveram a arte e os artefatos roubados para seus donos. O resgate desse patrimônio artístico está todo documentado com fotos originais. Há, também, uma parte da visita, onde assistimos a uma apresentação audiovisual dos ataques aéreos que destruíram a antiga Nuremberg. De arrepiar o último fio de cabelo!!!
A visita dura de 75 a 90 minutos. E, ocorrem de segunda a domingo, às
14:30h. Sexta e sábado há também um tour às 17:30h. Entrada: 6 Euros. Como já
contei, ele está incluído no Nuremberg Card, mas deve-se pegar o voucher antes
no Escritório de Turismo (Tourist-Info am Hauptmarkt = Hauptmarkt 18;
Tourist-Info am Hauptbahnhof = Königstraße 93) onde comprou seu card.
Endereço: Obere Schmiedgasse, 52.
Em resumo: é uma visita educativa, muito emocionante e, portanto, imperdível!!
E, por mais que saibamos que as intenções Nazi ao preservar essas preciosidades não eram boas, inclusive Hitler tinha por fim usar o misticismo das Insígnia Imperiais para aumentar sua áurea de poder, temos que lhes agradecer por preserva-las tão bem. E, temos que agradecer sobretudo aos Monuments Men que as devolveram para a apreciação eterna da humanidade.
Preciosidades no Germanisches Nationalmuseum, Nuremberg
"Männleinlaufen" da Frauenkirche, Nuremberg
Altar Mor, de Veit Stoß, da Nossa Senhora de Cracóvia, de volta em sua "casa"
Um deslumbre!!
Abraços!!
PS: o Nuremberg Card também dá direito a outros tours pelos túneis subterrâneos que foram construídos e usados no
passado para propósitos distintos.
- Rock-Cut Cellars, que mostra as adegas de cerveja e termina em uma cervejaria histórica de Nuremberg.
- Casemates and Water Supply Conduits
- Masmorras medievais - esse tour é feito no escuro sob a Altes Rathaus, e é onde no passado houve uma prisão. Ocorre a cada meia hora, para grupos de 5 ou mais, de terça-feira a domingo, das 10 às 16:30h. Duração de 30 minutos.
Sendo assim, não deixem de fazer um passeio emocionante pelo submundo de
Nuremberg!!!









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