Dicas de viagem: conhecendo a Nuremberg Nazista
Olá, pessoal!! Nos últimos domingos exploramos a "Berlim Nazista" e os sinais da Guerra Fria na capital alemã. Agora, vamos continuar viagem e seguir até Nuremberg. Sem duvidas, toda a Alemanha vivenciou o Nazismo, da ascensão à queda, passando pela guerra. Mas, três cidades simbolicamente estão mais ligadas a essa época historia: Munique, Nuremberg e a já citada Berlim.
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| Reuniões de Nuremberg, Leis de Nuremberg, Julgamentos de Nuremberg... |
Nuremberg, na Alta Idade Média, foi uma das maiores cidades imperiais livres, tendo sido considerada a "capital não oficial" do Sacro Império Romano-Germânico. Muitos anos depois, Adolf Hitler, pensando em todo o simbolismo que emanava desta cidade, a escolheu para ser sede dos "Reichsparteitag", ou seja, das Convenções Nacionais do Partido (o que chamamos de Comícios de Nuremberg). Os nazistas realizaram seu primeiro comício já em 1923, todavia ao longo dos anos subsequentes eles foram ganhando proporções verdadeiramente épicas. Hoje, é impossível não associar Nuremberg aos discursos inflamados do Führer, os desfiles, as luzes e todo o fervor dos cidadãos alemães comuns.
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| Hermann Göring |
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| Albert Speer |
Congresso do Partido Nazista em Nuremberg, 1938
Imagens
impossíveis de serem esquecidas: "Triunfo da Vontade" de Leni
Riefenstahl
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| Nuremberg destruída em 1945 |
Um pouco de história:
No inicio do ano de 1945, a Segunda Guerra Mundial vai dando sinais de
que se encaminhava para o fim. E, não como Hittler havia sonhado. Como
consequência da inevitável derrota, em maio de 1945, Adolf Hitler, Joseph
Goebbels e Heinrich Himmler se suicidaram. Adolf Eichmann fugiu da Alemanha, e
escapou da prisão.
Todavia, ao fim dos combates, alguns dos grandes líderes nazistas foram capturados e enviados à prisão, dentre eles: Rudolf Hess, Vice-líder do partido nazista; Hermann Göring, Comandante da Luftwaffe, Presidente do Reichstag e Ministro da Prússia; Walther Funk, Ministro da Economia do Reich; Erich Raeder, o Grande Almirante; Karl Doenitz, Sucessor de Raeder e, brevemente, Presidente do Reich alemão; Baldur von Schirach, líder nacional da juventude; Albert Speer, Ministro dos Armamentos e Produção de Guerra; Konstantin von Neurath, Protetor da Boémia e Morávia; Hans Frank, Governador-geral da Polônia; Wilhelm Frick, Ministro do Interior, que autorizou as Leis de Nuremberg; Hans Fritzsche, Ajudante de Joseph Goebbels no Ministério da Propaganda; Alfred Jodl, Chefe de Operações do OKW (Oberkommando Der Wehrmacht); Ernst Kaltenbrunner, Chefe do RSHA e membro de maior escalão da Schutzstaffel; Wilhelm Keitel, Chefe do OKW; Gustav Krupp; Industrial que usufruiu de trabalho escravo; Robert Ley; Chefe do Corpo Alemão de Trabalho; Franz von Papen, Ministro e vice-chanceler; Joachim von Ribbentrop, Ministro das Relações Exteriores; Alfred Rosenberg, Ideólogo do racismo e Ministro do Reich para os Territórios Ocupados do Leste; Fritz Sauckel, Diretor do programa de trabalho escravo; Hjalmar Schacht, Presidente do Reichsbank; Arthur Seyss-Inquart, Líder da anexação da Áustria e Gauleiter dos Países Baixos, e Julius Streicher, Chefe do periódico antissemita Der Stürmer.
Todavia, ao fim dos combates, alguns dos grandes líderes nazistas foram capturados e enviados à prisão, dentre eles: Rudolf Hess, Vice-líder do partido nazista; Hermann Göring, Comandante da Luftwaffe, Presidente do Reichstag e Ministro da Prússia; Walther Funk, Ministro da Economia do Reich; Erich Raeder, o Grande Almirante; Karl Doenitz, Sucessor de Raeder e, brevemente, Presidente do Reich alemão; Baldur von Schirach, líder nacional da juventude; Albert Speer, Ministro dos Armamentos e Produção de Guerra; Konstantin von Neurath, Protetor da Boémia e Morávia; Hans Frank, Governador-geral da Polônia; Wilhelm Frick, Ministro do Interior, que autorizou as Leis de Nuremberg; Hans Fritzsche, Ajudante de Joseph Goebbels no Ministério da Propaganda; Alfred Jodl, Chefe de Operações do OKW (Oberkommando Der Wehrmacht); Ernst Kaltenbrunner, Chefe do RSHA e membro de maior escalão da Schutzstaffel; Wilhelm Keitel, Chefe do OKW; Gustav Krupp; Industrial que usufruiu de trabalho escravo; Robert Ley; Chefe do Corpo Alemão de Trabalho; Franz von Papen, Ministro e vice-chanceler; Joachim von Ribbentrop, Ministro das Relações Exteriores; Alfred Rosenberg, Ideólogo do racismo e Ministro do Reich para os Territórios Ocupados do Leste; Fritz Sauckel, Diretor do programa de trabalho escravo; Hjalmar Schacht, Presidente do Reichsbank; Arthur Seyss-Inquart, Líder da anexação da Áustria e Gauleiter dos Países Baixos, e Julius Streicher, Chefe do periódico antissemita Der Stürmer.
Dessa forma, entre 20 de novembro de 1945 e 1 de outubro de 1946, as
forças aliadas conduziram os julgamentos de Nuremberg para processarem esses
nazistas sobre a acusação de crimes contra a humanidade.
Destes, três foram absolvidos: Hjalmar Schacht, Franz von Papen e Hans Fritzche.
Gustav Krupp teve as suas acusações canceladas por saúde debilitada. Robert Ley
e Goering se suicidaram na prisão. Hans
Frank, Wilhelm Frick, Alfred Jodl, Ernst Kaltenbrunne, Wilhelm Keitel, Joachim
von Ribbentrop, Alfred Rosenberg, Fritz Sauckel, Arthur Seyss-Inquart e Julius
Streicher foram enforcados. Walther Funk, Rudolf Hess e Erich Raeder
foram condenados à prisão perpétua. Karl Dönitz recebeu 10 anos de condenação; Konstantin
von Neurath, 15 anos; Baldur von Schirach e Albert Speer, 20 anos.
A curiosa história de Martin Bormann, Vice-líder do Partido Nazi e
Secretário particular do Führer, o único nazista julgado à revelia em Nuremberg: os aliados acreditavam que Bormann, que facilitou a Solução Final ao ordenar
as deportações, havia escapado de Berlim no fim da guerra. Todavia, decidiram julgá-lo e condená-lo à morte. Em 1973, após décadas de buscas, as autoridades
da Alemanha Ocidental descobriram seus restos mortais. Eles declararam que ele
morreu em 2 de maio de 1945 enquanto tentava fugir de Berlim. Será?!?
Para saber mais desta história, não deixem de assistir ao filme “O
Julgamento de Nuremberg” com Alec Baldwin no papel do promotor da Suprema Corte
dos Estados Unidos.
Mas, esse é o fim da história. Sugiro que comecem a visita pela "Nuremberg Nazista" do início. Então, vamos conhecer as atrações na ordem...
1. Centro de Documentação Nazista de Nuremberg (Dokumentationszentrum Reichsparteitagsgelände) e as ruínas do Campo Zeppelin
Toda essa megalomania tinha uma razão de ser: diminuir o individuo e valorizar o coletivismo, que por sua vez levava a catarse da população, o que dificultava a real apreensão dos acontecimentos. A ideia era que as pessoas se sentissem parte de um grupo, e assim, por motivos emocionais, não conseguissem ver o valor de seus próprios conceitos. Seguir o rebanho... esse era o Zeitgeist (o espirito dos tempos)
Uma explicação da "mágica" empregada pelos marqueteiros para hipnotizar o povo.
Recheadas de shows, discursos, bandeiras, tochas e outros símbolos, as paradas militares dos nazista eram verdadeiras performances para emocionar o público.
O Julgamento de Nuremberg ocorreu na Zona Americana de ocupação. Logo, os americanos foram responsáveis pela organização do julgamento, segurança/vigilância dos presos políticos, autoridades, convidados, imprensa e da própria cidade.
Na ultima parte da visita, há a exibição “Estação, a via” onde se presta
uma homenagem aos 375 anos de existência das ferrovias alemãs. Entre os trilho existem
diversos pedacinhos de papéis com o nome, data, e local onde os presos nos
campos de concentração morreram. Uma bela homenagem aos mais de 6 milhões que
perderam a vida durante o Holocausto!
Endereço: Bayernstraße 110. Como chegar: pegue a linha 2 do S-Bahn de Hauptbahnhof até Dutzendteich, ou lo ônibus 8 direção Nürnberg Doku-Zentrum e desça no ponto final. Aproveite que o Nuremberg Card Fürth e Stein (Zone A) dá direito a qualquer forma de transporte nesta região. Horário: de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas; aos sábados e domingos, das 10 às 18 horas. A entrada é permitida até 1 hora antes do horário de fechamento. Ingresso: 5 euros (os audioguias estão incluídos no ingresso e são fundamentais já que as informações nas fotos estão apenas em alemão). Aceita Nuremberg Card.
Após visitar o Centro de Documentação, é hora de passear pelos terrenos dos antigos Campos do Rally Nazista. Maior do que 12 campos de futebol e com uma grande rua ao centro, com quase dois quilômetros e meio de extensão, essa é a área onde as tropas Nazis desfilavam durante os comícios para idolatrar o Führer. Por muito tempo, deixou-se este espaço ficar em ruínas, para se evitar a peregrinação de neonazistas. Todavia, atualmente tem-se explorado turisticamente mais essa "atração". Há inclusive um ônibus que percorre o Campo.
Não deixe de passar na Nürnberg-Frankenstadion para ver uma insígnia da águia e uma suástica originais no prédio que foi a subestação de transformadores elétricos que alimentava o Parque de Exposições Nazi, e hoje é um Burger King. Sigam até o Estádio da Juventude Hitlerista (hoje, sede do time de futebol FC Nürnberg). A próxima parada é no Campo Zeppelin com sua a arquibancada e a tribuna de onde Hitler se dirigia aos seus seguidores. Na extremidade norte do Campo Zeppelim, há um pequeno lago (Dutzendteich), e dando a volta nele, chega-se a Grande Estrada dos Campos do Rally Nazista, que atualmente é um estacionamento. Passe pela Volksfestplatz e fotografe de longe o Kongresshalle, que foi construído para Hittler receber lideres estrangeiros. No Parque Luitpoldhain, que era outro local de desfiles e tinha capacidade para receber 150 mil pessoas, veja o Salão da Honra (Ehrenhalle), a única coisa restante. Antes de voltar para o centro da cidade, repare no antigo Park Café Wanner.
Reserve cerca de três horas para conhecer o Centro de Documentação e ao menos mais uma para visitar a região onde ocorriam os Rallys.
2. Tour Historischer Kunstbunker
Esse é um tour guiado pelo bunker onde durante a guerra foram escondidas as as Joias da Coroa do Sacro Império Romano e diversas, e preciosas, outras obras de arte. Todos os detalhes desta atração imperdível neste post.
A visita dura de 75 a 90 minutos. E, ocorrem de segunda a domingo, às 14:30h. Sexta e sábado há também um tour às 17:30h. Entrada: 6 Euros. Ele está incluído no Nuremberg Card, mas deve-se pegar o voucher antes no Escritório de Turismo (Tourist-Info am Hauptmarkt = Hauptmarkt 18; Tourist-Info am Hauptbahnhof = Königstraße 93) onde se comprou o card. Endereço: Obere Schmiedgasse, 52.
3. Memorial do Julgamento de Nuremberg (Memorium Nürnberger Prozesse)
Durante anos, os dirigentes do Partido Nazista e seus colaboradores, tais como médicos e juristas, perseguiram e cometeram várias atrocidades contra aqueles que consideravam indesejáveis, como: os judeus; os deficientes; os ciganos; diversos religiosos; estrangeiros e as chamadas minorias antissociais, sobretudo os homossexuais. Essas pessoas foram humilhadas, torturadas e serviram de cobaias em “experiências médicas”. Muitas foram escravizadas e submetidas a trabalhos forçados sob a vigilância dos sádicos membros da SS. E, esses foram os sortudos, pois milhares de homens, mulheres e crianças foram exterminados nos campos de concentração.
Nesta atração, aprendemos em detalhes como se deu o julgamento dos “monstros”
envolvidos nestas atrocidades. Além da possibilidade de visitar a famosa Sala
600, é possível entender tudo que envolveu aquele que talvez tenha sido o maior
julgamento de todos os tempos. E, se não foi, ao menos foi aquele que balizou o
atual Tribunal Penal Internacional (TPI), órgão que julga as pessoas que cometem crimes contra a paz e genocídios. Pode-se dizer que
ele foi o primeiro passo na tentativa de preservação dos direitos humanos, já
que anteriormente os inimigos capturados eram, no mais das vezes, sumariamente
executados. E, foi esse tribunal que estabeleceu os precedentes legais de crimes contra
a humanidade.
Mas, não se pode deixar de lembrar que existiram graves críticas ao júri composto pelos juízes dos EUA, URSS, Grã-Bretanha e França. Eles foram acusados de violar os direitos fundamentais dos réus, que dentre outras restrições não puderam escolher seus advogados. Ademais, foram considerados crimes, atos que até então não eram assim definidos. Outros também destacaram o fato do tribunal não ter apreciado e julgado os crimes cometidos pelos vencedores, sobretudo os responsáveis pelos bombardeios contra as cidades alemãs e pelos lançamentos das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki.
História de dois dos mais conhecidos acusados:
A seguir, existe a exposição de livros sobre esse julgamento e fotografias de diversos outros pelo mundo, culminado com a criação, em 2002, da Corte Penal Internacional no âmbito da Organização das Nações Unidas.
A Sala 600
Ela fica aberta aos visitantes apenas nos dias em que não ocorrem sessões no tribunal (acesso incluído na entrada).
Antes e agora.
Durante os julgamentos, os acusados se sentavam à esquerda da porta principal, ou seja, do lado contrário às janelas, que tinham vidros a prova de balas.
A esses primeiros processos das potências aliadas seguiram-se, entre 1945 e 49, outros 12 julgamentos, também na Sala 600, contra supostos participantes diretos de crimes nazistas e seus cúmplices. Por ela, passaram altos funcionários do regime, militares e membros das SS, profissionais liberais, médicos, juristas, banqueiros e industriais, além de pessoas com funções subalternas que também participaram da máquina mortífera nazista. Inicialmente a tarefa de fazer justiça foi reservada aos aliados, e o primeiro grande julgamento contra criminosos nazistas já sob o poder alemão foram os chamados Julgamentos de Auschwitz, instruídos pelo juiz Fritz Bauer, entre 1963 e 1965.
Endereço: Bärenschanzstraße, 72. Como chegar: linha do metrô U1 (linha verde) e descer na estação de Bärenschanze. Horário: de segunda a sexta, exceto as terças, das 09-18h. Sábados e domingos, entre 10-18h. Entrada: €6 adultos, aceita Nuremberg Card (o audioguia é grátis).
Tudo isso é difícil de assimilar, e mais do que uma aula de história in locu, para mim, essa viagem a Nuremberg foi uma experiência que me fez olhar a humanidade de outra forma. Hoje, entendo que há uma "fera" domada dentro de todos os indivíduos e que é preciso deixá-la trancada. Entendo também que não são leis, interferência governamental, ou engenharias sociais bem intencionadas que tornarão o mundo e os seres humanos melhores. É preciso que cada individuo se dedique ao amadurecimento pessoal e que assuma as suas responsabilidades, pessoais e coletiva.
Abraços!!
1. Centro de Documentação Nazista de Nuremberg (Dokumentationszentrum Reichsparteitagsgelände)
O Centro de Documentação situa-se na ala norte de um coliseu construído por
ordens Hitler, no bairro Dutzendteich, nas proximidades das antigas áreas de
desfile do Partido Nazista (Reichsparteitagsgelände).
Nele, pode-se ver a exposição permanente "Fascinação e Poder" (Faszination und Gewalt), inaugurada em 2001. Nesta exposição nos é
apresentado os fatos, em ordem cronológica, sobre à relação entre Nuremberg
e o Partido Nazista.
A exposição começa com o relato da formação do Partido e da liderança de Adolf Hitler.
Exemplar de “Mein Kampf”
Depois da I Guerra Mundial (1914-18), a Alemanha estava completamente falida e o movimento nazista ganhou popularidade com a promessa de
fortalecer a economia e gerar empregos. Dese modo, após 10 anos na "luta" politica, os Nazis chegaram ao poder.
A seguir, há um pouco sobre a propaganda nazista, os comícios e festivais para promover a cultura alemã, e a construção da imagem
de Hitler como um grande líder, um "quase Deus".
A ideia nos comícios era passar para a população a impressão de que a vida
seria muita mais próspera com os nazistas no poder. Além de, inflar a população e promover o Führer.
Há uma área sobre a formação de campos de prisioneiros do sistema (Dachau),
ainda em 1933. Antes disso, há um resumo dos eventos acontecidos em Berlim: o incêndio
no Parlamento (1933) e a consequente suspensão de liberdades individuais, censura
à imprensa, e prisões de inimigos políticos sem acusação formal ou ordem
judicial.
Uma curiosidade: até hoje há controvérsias entre os historiadores se o incêndio
do Reichstag foi, ou não, uma “False Flag”. No entanto, a maioria crê que de
fato foi obra dos comunistas.
Micro documentário de cerca de 8 minutos de duração com um resumo da construção
do Complexo do Congresso do Partido Nazista (com ênfase na adoção do estilo
neoclássico), dos comícios de Nuremberg e acontecimentos subsequentes.
Nesta região, pode-se ver como o projeto arquitetônico nazista, liderado por Albert Speer, fazia parte de um grande plano para dominar os valores alemães.
Toda essa megalomania tinha uma razão de ser: diminuir o individuo e valorizar o coletivismo, que por sua vez levava a catarse da população, o que dificultava a real apreensão dos acontecimentos. A ideia era que as pessoas se sentissem parte de um grupo, e assim, por motivos emocionais, não conseguissem ver o valor de seus próprios conceitos. Seguir o rebanho... esse era o Zeitgeist (o espirito dos tempos)
Projeto over em Nuremberg para o Campo Zeppelin.
Projeto over para Berlim, que seria a Capital do Mundo.
Em uma das salas, tem um mapa que
mostra a evolução do número de campos de concentração no Leste
Europeu.
Além dos painéis, existem diversos vídeos originais na exposição.
Uma explicação da "mágica" empregada pelos marqueteiros para hipnotizar o povo.
Recheadas de shows, discursos, bandeiras, tochas e outros símbolos, as paradas militares dos nazista eram verdadeiras performances para emocionar o público.
Nesta parte do museu, se expõem os eventos relacionados à tentativa de
criação da raça ariana e a perseguição aos judeus, homossexuais, ciganos, deficientes
físicos e mentais, e outras minorias.
As atrocidades aconteciam, mas a população, em geral, acreditava na versão
oficialmente divulgada de que os campos de concentração eram uma espécie de colônia
onde judeus, ciganos e outros viviam livremente. Será mesmo que acreditavam nisso?!?
Ideologização antissemita nas escolas.
Há uma ala sobre a “Lei de Nuremberg” onde as pessoas até a quarta
geração de uma família judia eram submetidas a leis especiais, além de
serem impedidas de relacionar-se com alemães “puros”. Destacam-se, também, os terríveis
experimentos genéticos e a Lei da Eutanásia.
A seguir, chega-se a parte dedicada às invasões nazistas na Checoslováquia
e Polônia, a anexação da Áustria, e os avanços na União Soviética.
O fim, e estragos, da Guerra.
As cenas do julgamento, gravadas à época para
garantir a irrefutabilidade dos acontecimentos, são exibidas no fim da exposição.
O Julgamento de Nuremberg ocorreu na Zona Americana de ocupação. Logo, os americanos foram responsáveis pela organização do julgamento, segurança/vigilância dos presos políticos, autoridades, convidados, imprensa e da própria cidade.
| Kongresshalle |
Endereço: Bayernstraße 110. Como chegar: pegue a linha 2 do S-Bahn de Hauptbahnhof até Dutzendteich, ou lo ônibus 8 direção Nürnberg Doku-Zentrum e desça no ponto final. Aproveite que o Nuremberg Card Fürth e Stein (Zone A) dá direito a qualquer forma de transporte nesta região. Horário: de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas; aos sábados e domingos, das 10 às 18 horas. A entrada é permitida até 1 hora antes do horário de fechamento. Ingresso: 5 euros (os audioguias estão incluídos no ingresso e são fundamentais já que as informações nas fotos estão apenas em alemão). Aceita Nuremberg Card.
Após visitar o Centro de Documentação, é hora de passear pelos terrenos dos antigos Campos do Rally Nazista. Maior do que 12 campos de futebol e com uma grande rua ao centro, com quase dois quilômetros e meio de extensão, essa é a área onde as tropas Nazis desfilavam durante os comícios para idolatrar o Führer. Por muito tempo, deixou-se este espaço ficar em ruínas, para se evitar a peregrinação de neonazistas. Todavia, atualmente tem-se explorado turisticamente mais essa "atração". Há inclusive um ônibus que percorre o Campo.
Não deixe de passar na Nürnberg-Frankenstadion para ver uma insígnia da águia e uma suástica originais no prédio que foi a subestação de transformadores elétricos que alimentava o Parque de Exposições Nazi, e hoje é um Burger King. Sigam até o Estádio da Juventude Hitlerista (hoje, sede do time de futebol FC Nürnberg). A próxima parada é no Campo Zeppelin com sua a arquibancada e a tribuna de onde Hitler se dirigia aos seus seguidores. Na extremidade norte do Campo Zeppelim, há um pequeno lago (Dutzendteich), e dando a volta nele, chega-se a Grande Estrada dos Campos do Rally Nazista, que atualmente é um estacionamento. Passe pela Volksfestplatz e fotografe de longe o Kongresshalle, que foi construído para Hittler receber lideres estrangeiros. No Parque Luitpoldhain, que era outro local de desfiles e tinha capacidade para receber 150 mil pessoas, veja o Salão da Honra (Ehrenhalle), a única coisa restante. Antes de voltar para o centro da cidade, repare no antigo Park Café Wanner.
Reserve cerca de três horas para conhecer o Centro de Documentação e ao menos mais uma para visitar a região onde ocorriam os Rallys.
2. Tour Historischer Kunstbunker
Esse é um tour guiado pelo bunker onde durante a guerra foram escondidas as as Joias da Coroa do Sacro Império Romano e diversas, e preciosas, outras obras de arte. Todos os detalhes desta atração imperdível neste post.
A visita dura de 75 a 90 minutos. E, ocorrem de segunda a domingo, às 14:30h. Sexta e sábado há também um tour às 17:30h. Entrada: 6 Euros. Ele está incluído no Nuremberg Card, mas deve-se pegar o voucher antes no Escritório de Turismo (Tourist-Info am Hauptmarkt = Hauptmarkt 18; Tourist-Info am Hauptbahnhof = Königstraße 93) onde se comprou o card. Endereço: Obere Schmiedgasse, 52.
3. Memorial do Julgamento de Nuremberg (Memorium Nürnberger Prozesse)
Durante anos, os dirigentes do Partido Nazista e seus colaboradores, tais como médicos e juristas, perseguiram e cometeram várias atrocidades contra aqueles que consideravam indesejáveis, como: os judeus; os deficientes; os ciganos; diversos religiosos; estrangeiros e as chamadas minorias antissociais, sobretudo os homossexuais. Essas pessoas foram humilhadas, torturadas e serviram de cobaias em “experiências médicas”. Muitas foram escravizadas e submetidas a trabalhos forçados sob a vigilância dos sádicos membros da SS. E, esses foram os sortudos, pois milhares de homens, mulheres e crianças foram exterminados nos campos de concentração.
Mas, não se pode deixar de lembrar que existiram graves críticas ao júri composto pelos juízes dos EUA, URSS, Grã-Bretanha e França. Eles foram acusados de violar os direitos fundamentais dos réus, que dentre outras restrições não puderam escolher seus advogados. Ademais, foram considerados crimes, atos que até então não eram assim definidos. Outros também destacaram o fato do tribunal não ter apreciado e julgado os crimes cometidos pelos vencedores, sobretudo os responsáveis pelos bombardeios contra as cidades alemãs e pelos lançamentos das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki.
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| O “Tribunal de Nuremberg” foi realizado no Palácio da Justiça, que mesmo após tantos bombardeios aliados permanecera de pé |
No Museu do Tribunal (no andar superior do Palácio da Justiça) há vários painéis, fotos, filmes e outros materiais audiovisuais, em sua maioria
advindo de arquivos resgatado de documentários das quatro potências
aliadas e da própria cidade de Nuremberg, onde se relata, não apenas o curso deste julgamento, mas também a evolução histórica dele até o Tribunal Penal Internacional em Haia.
No início da exposição, pode-se entender como o tribunal foi formado:
Quando a guerra terminou, estava claro que haveria punição. Mas, qual punição?
Britânicos e Soviéticos desejavam a pronta execução dos envolvidos. Os
norte-americanos, por sua vez, estavam divididos. Ao fim de diversos debates, a
ala moderada prevaleceu e decidiu-se por uma solução jurídica, através de um
tribunal internacional. Assim o presidente dos EUA, Henry Truman, encarregou
Robert Jackson, então presidente de Suprema Corte de Justiça Americana, da
elaboração de políticas de crimes de guerra. Jackson queria um tribunal com a participação
de todos os aliados, e assim foi. Entre julho e agosto de 1945, em Londres,
juristas e políticos dos países aliados acordaram os termos da famosa “Carta de
Londres”. Nela ficaram definidos os quatro tipos de crimes que iriam compor a
acusação em Nuremberg: guerra de agressão, crimes contra a humanidade, crimes
de guerra e crimes contra a paz. Além disso, seis organizações nazistas foram consideradas
criminosas: a SS, a SA, a Gestapo, o “Gabinete do Reich” e as Forças Armadas alemãs.
A seguir, são detalhadas as bibliografias dos réus, advogados e juízes. Ou melhor, os membros da Corte eram chamados de “membros do Tribunal”, embora quase todos fossem juízes em seus respectivos países. A Corte de Nuremberg era composta por oito membros, quatro titulares e
quatro suplentes. Entre os titulares estavam: Geoffrey Lawrence (Reino Unido),
Francis Biddle (EUA), Henri Donnedieu de Vabres (França) e Iona
Nikitchenko (URSS). Os promotores titulares, foram: Robert H. Jackson (EUA), Hartley Shawcross
(Reino Unido), François de Menthon (França), Auguste Champetier (França) e
Roman Rudenko (URSS).
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| Há diversos videos e áudios onde podemos ouvir trechos do julgamento e as alegações dos acusados e da defesa. É chocante observar que os assassinos não perderam a arrogância e frieza. |
História de dois dos mais conhecidos acusados:
Hermann Göring
Foi o oficial nazista de mais alto escalão julgado em Nuremberg. Ele se
tornou Reichsmarchall em 1940 e, em 41, se tornou o vice de Hitler. Mais tarde, quando ficou claro que
a Alemanha perderia a guerra, ele caiu em desgraça e Hitler retirou seus títulos
e posições. Após se render aos americanos, Göring teve a cara de pau de alegar
não saber o que acontecia nos campos de concentração. Condenado a enforcamento,
cometeu suicídio por envenenamento por cianeto na noite anterior à sua
execução, em outubro de 1946.
Albert Speer ficou conhecido como o nazista que pediu desculpas
Parte do círculo íntimo de Hitler, Speer foi o arquiteto que projetou a
maioria dos edifícios para o Reich. Em 1942, foi nomeado Ministro do Reich para
Armamentos e Produção de Guerra. Durante o julgamento, ele negou saber sobre o
Holocausto. Entretanto, aceitou a responsabilidade moral por seu papel nos
crimes cometidos. Foi condenado a 20 anos de prisão e cumpriu a maior parte de
sua sentença na prisão de Spandau, em Berlim Ocidental. Foi libertado em
outubro de 1966.
Os acusados ficaram presos no próprio Palácio da Justiça e foram vigiados 24 horas por
dia pelos soldados americanos.
Durante mais de duzentos dias, tradutores, telegrafistas, estenógrafos,
funcionários da justiça, advogados e promotores exploraram os milhares de documentos probatórios. Assistiu-se, ainda, ao testemunho de diversas vitimas que, sentadas em frente à mesa do júri, contaram com riqueza de
detalhes as crueldades perpetradas pelos nazistas.
Esse julgamento foi o primeiro da historia a receber tanta atenção da imprensa internacional. E, o mundo pode acompanhar, e se chocar, quase que em tempo real com as gravações que haviam sido feitas em alguns campos de concentração.
Durante o julgamento, eram quatro línguas
principais faladas pelos membros da corte, promotores, testemunhas, advogados e
réus: alemão, inglês, francês e russo. Assim, uma tradução consecutiva seria
impensável, pois a duração do julgamento seria alongada demais. Fez-se
necessário, então, que diversos interpretes realizassem as traduções simultaneamente,
o que só foi possível com a utilização dessa máquina da IBM.
A seguir, existe a exposição de livros sobre esse julgamento e fotografias de diversos outros pelo mundo, culminado com a criação, em 2002, da Corte Penal Internacional no âmbito da Organização das Nações Unidas.
A Sala 600
Ela fica aberta aos visitantes apenas nos dias em que não ocorrem sessões no tribunal (acesso incluído na entrada).
Antes e agora.
Durante os julgamentos, os acusados se sentavam à esquerda da porta principal, ou seja, do lado contrário às janelas, que tinham vidros a prova de balas.
| Detalhes da sala: na porta de entrada, em granito verde, há no topo dois símbolos que representam o direito alemão e o romano |
A esses primeiros processos das potências aliadas seguiram-se, entre 1945 e 49, outros 12 julgamentos, também na Sala 600, contra supostos participantes diretos de crimes nazistas e seus cúmplices. Por ela, passaram altos funcionários do regime, militares e membros das SS, profissionais liberais, médicos, juristas, banqueiros e industriais, além de pessoas com funções subalternas que também participaram da máquina mortífera nazista. Inicialmente a tarefa de fazer justiça foi reservada aos aliados, e o primeiro grande julgamento contra criminosos nazistas já sob o poder alemão foram os chamados Julgamentos de Auschwitz, instruídos pelo juiz Fritz Bauer, entre 1963 e 1965.
Endereço: Bärenschanzstraße, 72. Como chegar: linha do metrô U1 (linha verde) e descer na estação de Bärenschanze. Horário: de segunda a sexta, exceto as terças, das 09-18h. Sábados e domingos, entre 10-18h. Entrada: €6 adultos, aceita Nuremberg Card (o audioguia é grátis).
Tudo isso é difícil de assimilar, e mais do que uma aula de história in locu, para mim, essa viagem a Nuremberg foi uma experiência que me fez olhar a humanidade de outra forma. Hoje, entendo que há uma "fera" domada dentro de todos os indivíduos e que é preciso deixá-la trancada. Entendo também que não são leis, interferência governamental, ou engenharias sociais bem intencionadas que tornarão o mundo e os seres humanos melhores. É preciso que cada individuo se dedique ao amadurecimento pessoal e que assuma as suas responsabilidades, pessoais e coletiva.
Abraços!!





























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